''O mercado brasileiro é um dos mais importantes do mundo para a indústria automobilística''. A declaração é do presidente dos grupos Renault e Nissan, Carlos Ghosn, que afirmou que o Brasil é um dos países onde a Renault mais cresce no mundo. Só neste ano, a previsão é que a montadora, com base em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, cresça em torno de 43% em relação a 2006, resultado 14% maior que a estimativa de todo o mercado - que está em 29%, segundo a Anfavea. Atualmente, o mercado brasileiro representa 3,5% das vendas da Renault: volume pequeno, mas que deve aumentar nos próximos anos, conforme o executivo da empresa.
Para 2008, as previsões positivas continuam. Segundo Ghosn, a expectativa é que a Renault alcance um crescimento mínimo de 10%. ''Mas se o mercado crescer 20%, nós vamos crescer também. E se for um volume ainda maior, vamos acompanhar'', garantiu o executivo. A aposta da montadora está nos modelos lançados no segundo semestre deste ano - o Logan e o Sandero - que já obtiveram bons resultados, mas que devem refletir ainda mais nas vendas de 2008. No acumulado do ano, o Logan já vendeu mais de 11 mil unidades; o Sandero, lançado no fim de novembro deve chegar à marca de 3 mil unidades vendidas por mês. Além disso, a expectativa está voltada para outros dois veículos que serão apresentados em 2008, que também serão fabricados no País.
Ghosn destacou que o mercado brasileiro tem apresentado um bom desempenho não só para a Renault, mas para todas as outras montadoras. ''Um dos motivos é o crescimento econômico sustentável, o que dá credibilidade para o mercado'', observou. O presidente da montadora lembrou, por exemplo, que o Brasil já foi mais competitivo em relação aos custos para a produção, mas que com o desenvolvimento da economia isso diminuiu. ''Isso não quer dizer que deixou de ser competitivo, pelo contrário, seus produtos com valor agregado estão mais valorizados'', disse Ghosn.
Junto com o Brasil, que apresentou bom desempenho em 2007 no segmento de automóveis e deve continuar em 2008, o executivo apontou os mercados da Rússia, Índia e até a África os quais também têm obtido boas performances no segmento automobilístico. Ele frisou que os mercados da Europa, Japão e Estados Unidos já estão saturados. Só para se ter uma idéia, o volume de veículos vendidos em todo o mundo deve alcançar a marca de 65 milhões de unidades. No Brasil, o número deve ser de quase 2,5 milhões, cerca de 4% do total.
Outra aposta da Renault para o bom desempenho em 2008, conforme Ghosn, é que a marca tem sido bem recebida pelos consumidores. Ele destacou, entretanto, que ainda é preciso fazer um trabalho de marketing mais incisivo, já que pesquisa recente apontou que menos da metade, 48%, dos brasileiros sabe que a Renault produz veículos no País.
Recorde - A Renault do Brasil prevê encerrar o ano com mais de 73 mil unidades vendidas, das quais 65.675 já foram comercializadas de janeiro a novembro. Esta previsão é 43% superior ao registrado em 2006. Segundo a empresa, o resultado deste ano dá fôlego para a montadora chegar ao seu objetivo, em 2008, de ultrapassar a marca de 100 mil veículos vendidos.
Os bons resultados em 2007, conforme a direção da Renault, também estão contribuindo para o equilíbrio financeiro da empresa no Brasil. Pela primeira vez na história da empresa no País, a Renault atingirá em 2007 o ''break even'' (ponto de quilíbrio oepracional) no qual as despesas e receitas se equivalem.
O presidente dos grupos Renault e Nissan, Carlos Ghosn, está visitando o Brasil esta semana para falar com os representantes locais das montadoras e também com o governo. Na terça-feira ele esteve em Curitiba, onde conversou com diretores das empresas. Ontem de manhã participou de coletiva de imprensa em São Paulo e apresentou o balanço e as novidades das empresas aos jornalistas. Depois seguiu para Brasília onde se encontraria com o presidente Lula.

- A jornalista viajou a São Paulo a convite da Renault do Brasil.

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