Brasil e Japão dialogam e fecham acordos
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quinta-feira, 26 de maio de 2005
Agência Estado 
Tóquio - Em seu primeiro dia no Japão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colheu mais promessas do que avanços concretos para a economia. Em sua reunião com o primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, ficou acertada a criação de um grupo de trabalho da biomassa, que vai discutir a utilização de etanol e biodiesel. Também foi anunciada a vinda de uma missão econômica japonesa ao País ainda este ano, sem data marcada. Foi discutida, também, a possibilidade de o Japan Bank for International Cooperation (JBIC) financiar obras de integração em infra-estrutura na América do Sul e o interesse de empresas japonesas em participar nas Parcerias Público-Privadas (PPPs), principalmente projetos em ferrovias.
Na área de alimentos, onde se esperavam avanços depois da liberação das mangas brasileiras, no ano passado, os dois presidentes apenas mencionaram um ''diálogo em nível técnico'' ocorrido neste mês. Nem mesmo o simpático lobby que Lula pretendia fazer a favor da carne brasileira, oferecendo um churrasco às autoridades japonesas, deu certo. O Japão barrou a entrada do produto. Pelo visto, Koizumi não sente saudades do filé mignon que lhe foi servido no Itamaraty, em setembro passado.
Resultados mais concretos deverão ser alcançados hoje, quando serão assinados 13 contratos num total superior a US$ 2 bilhões, a maior parte deles empréstimos do JBIC para a Petrobrás e a Vale do Rio Doce. Entre eles, há dois de valor mais elevado: um memorando de entendimento sobre a estruturação financeira do projeto de modernização da Refinaria Vale do Paraíba (Revap), que envolverá US$ 900 milhões, a ser firmado entre a Petrobrás, o JBIC, o Sumitomo Mitsui Banking Corporation (SMBC) e as empresas Mitsui, Itochu e Nexi. O segundo, um acordo de cooperação entre uma fabricante brasileira de tubulações para petróleo e gás, a Etesco, e a Mitsubishi Corporation, orientado para os serviços em plataformas continentais. Envolverá US$ 400 milhões.
Lula e Koizumi ainda discutiram a situação dos imigrantes brasileiros no Japão, os dekasseguis. Um outro grupo de trabalho foi formado para tratar da prestação de serviços de saúde e aposentadorias para a comunidade. Também ficou acertada uma reunião, em outubro, para tratar da educação das crianças brasileiras residentes naquele país.


