Curitiba - As indústrias do Paraná que exportam carne bovina e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento não vêem com preocupação o fato de a União Européia (UE) enviar novas missões para avaliar as condições fitossanitárias da carne brasileira. O economista do Sindicato das Indústrias de Carne do Paraná (Sindicarne-PR), Gustavo Fanaya, disse que os irlandeses e britânicos estão cumprindo o seu papel ao passar para a UE a idéia de impor um embargo imediato ao produto brasileiro.
''O produto brasileiro tem qualidade similar ao irlândes mas possui condições de produção muito mais favoráveis, o que faz que a carne brasileira ser imbatível em qualidade e custo'', afirmou. Para Fanaya, a pressão é política e, na análise técnica, a carne do Brasil seria aprovada. ''A preocupação viria se os técnicos da comissão européia dessem mais importância para a questão política do que para critérios técnicos'', destacou. Mas, por outro lado, ele lembrou que o Brasil precisa fazer a ''lição de casa'' e corresponder à expectativa dos europeus em relação às questões técnicas.
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Afonso Kroetz, disse que a vinda de novas missões da UE para o Brasil já estava marcada desde o início do ano para verificar a correção de não conformidades em relação à carne brasileira detectadas no primeiro semestre. ''Isso é de praxe, é normal. A UE quer mais clareza sobre a rastreabilidade e mais garantias sobre o combate à febre aftosa'', disse.
Kroetz destacou que a UE é um mercado importantíssimo para o Brasil. ''A pressão comercial em cima dessa missão é visivelmente grande'', afirmou. Ele acredita ainda que quando a Organização Internacional de Epizootias (OIE) conceder o estatus de área livre de aftosa para o Mato Grosso do Sul os outros Estados que fazem parte da zona suspensa (PR, MT, SP, TO, DF, MG, RJ, ES, BA e SE) também serão liberados.

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