Brasil e FMI estudam novo sistema
Tim Sloan/France PresseSem consensoAlan Greenspan, Pedro Malan e James Wolfensohn, ontem: negociação para ajuda a emergentes é difícilUm acordo de entendimento entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) deve ser concluído em breve. Ainda não há uma data precisa, mas autoridades brasileiras afirmaram ontem que o apoio ao Brasil vai se dar através um novo tipo de mecanismo, que proteja o País de crises financeiras globais. O presidente do Banco Central, Gustavo Franco, confirmou que uma solução deverá estar pronta em poucos dias, dizendo que, se estiver disponível um fundo de contingência, o País utilizará esses recursos. É parte do jogo, disse Franco.
Na véspera, a utilização de recursos disponíveis em fundo de contingência chegou a ser descartada pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. Ele afirmou que isso talvez não fosse necessário. Até agora, o Brasil não fez um pedido formal de ajuda ao FMI, mas, segundo Franco, isso talvez não tenha de ser feito, porque o rito de consumação desse novo mecanismo de ajuda poderá ser diferente.
Os comunicados oficiais que circulam em Washington, no encontro do G-7 e FMI, exigem medidas fortes para resolver a crise global. Mas os desentendimentos entre os responsáveis pela comunidade financeira internacional são tantos e tamanhos que é improvável que qualquer medida venha a ser tomada no curto prazo. O sentimento de que o Grupo dos Sete (países mais ricos do mundo) e o Fundo Monetário Internacional estão divididos e, por isso, inativos, foi o principal fator para as quedas observadas ontem em muitas Bolsas de Valores .
Os EUA estão na ofensiva na proposição de mudanças. Seu plano sugere, entre outros componentes, a criação de novo instrumento, um fundo de contingência, pelo qual o FMI poderia ceder financiamentos a países ameaçados pelo pânico dos mercados sem exigir em contrapartida, como é praxe, a adoção de novas políticas de restrição financeira. A burocracia do FMI resiste a essa alteração em suas práticas tradicionais. Alguns países a apóiam, como França e Reino Unido.
Os EUA baixaram em 0,25 ponto percentual suas taxas de juros internas e indicam que gostariam que o mesmo acontecesse nos outros países industrializados. Mas a Alemanha deixou claro que não vai fazer a mesma coisa logo. França e Japão defendem a possibilidade de países de economia emergente imporem algum tipo de controle sobre investimentos especulativos de curto prazo em suas economias. Mas os EUA se opõem com vigor a essa
possibilidade.
Os EUA querem que o Japão tome medidas para permitir o crescimento de sua atividade econômica como melhor fórmula para tirar os países do Sudeste da Ásia da crise. O Japão reclama que os EUA estão mais preocupados em evitar que a América Latina entre na crise do que a ajudar o Sudeste da Ásia. Os EUA pressionam o Banco Mundial para entrar com mais dinheiro para tirar países de situações de emergência. Mas o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, tem deixado muito claro que não pretende tornar sua instituição um FMI de segunda classe e que, se os países-membros exigirem que ele faça isso, vão precisar aumentar seu capital.





