Brasil, Rússia e República Tcheca foram citados pelo diretor do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michael Mussa, como países que resistiram à crise internacional graças a rápidas medidas defensivas. Instabilidades no mercado financeiro, segundo o economista, são como o fenômeno climático El Ni¤o: não se pode controlá-las. Mas é possível tornar as economias menos vulneráveis a seus efeitos.
A solução, disse Mussa, já lhe era familiar muito antes de estudar Economia. Está na história dos três porquinhos. Um deles construiu uma casa de tijolos, bastante forte para resistir ao sopro do Lobo Mau.
O risco de crises financeiras internacionais pode muito bem estar crescendo, segundo o documento World Financial Outlook (Perspectiva Econômica Mundial), preparado semestralmente por técnicos do Fundo. Essa pode ser uma das consequências da globalização dos mercados, da ‘‘tendência aparente dos investidores a reagir com exuberância ao sucesso, com atraso às preocupações emergentes e, afinal, a exagerar a reação quando muda o sentimemento’’, afirmam os autores do relatório.
Para enfrentar o potencial de novas crises, segundo os técnicos do FMI, são necessárias maior vigilância das autoridades nacionais e dos investidores, mais informação financeira e econômica pelos governos, instituições financeiras e empresas e um reforço da supervisão internacional e regional das políticas e da evolução da economia e das finanças.
Transparência na formulação e na aplicação de políticas é um fator crítico, segundo os autores do relatório. Transparência governamental, e não apenas fiscal, como em geral se menciona, vem sendo uma das principais bandeiras políticas do FMI, especialmente desde o início da crise na Ásia.
Se eliminar o risco de crise é inviável, resta, de acordo com o raciocínio de Mussa, a prudência do porquinho. No caso do Brasil, segundo a análise apresentada no documento do FMI, o aperto monetário e fiscal de novembro, com elevação de juros e de impostos, restaurou a confiança do mercado e estancou a saída de reservas.

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