A idéia de designar o Brasil e os Estados Unidos para presidir a etapa decisiva das negociações foi aceita pelos 34 países em 1997, durante a Reunião de Ministros de Comércio da Alca em Belo Horizonte.
Conforme explicou um dos negociadores, a proposta fazia sentido naquela época. Primeiro, porque todos os sócios esperavam que o Poder Executivo dos Estados Unidos obteria um mandato negociador (o chamado Trade Promotion Authority ou fast track) incondicional de seu Congresso e logo em seguida. Depois, porque se tratava de lançar a responsabilidade pelo processo de negociação às maiores economias do Norte e do Sul do hemisfério.
O que não se previa era que os Estados Unidos iriam demorar tanto para conseguir o TPA e menos ainda que seu texto trouxesse normas que não favorecessem a negociação como o monitoramento direto dos deputados e senadores americanos das discussões sobre a abertura do mercado de produtos agrícolas sensíveis. Tampouco se esperava a guinada protecionista de Washington neste ano e que justamente os dois países-líderes fossem apresentar os maiores focos de resistência interna à Alca.
O dilema, agora, está no fato de que a maioria dos 32 outros sócios está interessada em levar adiante o processo e vai pressionar os que assumiram o responsabilidade de conduzí-lo. Em princípio, nem o Brasil nem os Estados Unidos querem dar sinais de que vão fugir dessa responsabilidade e tampouco querem arcar com o ônus de terem abortado a Alca. Mas, a condução desse processo não está exclusivamente nas mãos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e George W. Bush.

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