Brasília - Economias sob ameaça de racionamento, os Estados Unidos e o Brasil conseguiram deslanchar um diálogo fluído entre as suas respectivas áreas de energia. Esse foi o campo que mais registrou avanços nas relações bilaterais desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado por dez ministros, encontrou-se com seu colega George W. Bush e seu gabinete, em junho do ano passado. Nas demais áreas, os contatos seguiram de forma mais lenta e trouxeram modestos resultados práticos.
Durante o encontro presidencial, a ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, concordou em ampliar o acordo de cooperação Brasil-Estados Unidos na área energética, de 1997, e iniciou um contato ágil com o secretário americano de Energia, Spencer Abraham, com a finalidade de discutir questões como as tecnologias para a energia renovável e para o sequestro de carbono.
Desde o mesmo dia 20 de junho, o ministério brasileiro esteve presente em quatro eventos organizados nos Estados Unidos e recebeu delegações do Departamento americano de Energia em duas ocasiões.
Em novembro, um mês antes de encaminhar ao Congresso o novo modelo brasileiro para o setor elétrico, Rousseff expôs ao governo e aos investidores americanos as novas regras, durante um evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos e o Departamento de Estado. Conforme a própria ministra relatou à reportagem, os representantes do Departamento de Energia mantiveram uma postura respeituosa, de não-interferência. Em janeiro, as duas áreas de governo deverão criar o Grupo Brasil-Estados Unidos sobre energia e estreitar a cooperação nos segmentos de biomassa e biodiesel. Ainda neste semestre, Rousseff espera a visita de Abraham ao Brasil.
''O Departamento de Energia tem sido extremamente deferente conosco. Eles nos convidaram para todos os eventos que organizaram, sempre cumpriram com os acertos que fechamos e se mostram dispostos a aceitar os novos convites'', resumiu Roussef. ''Antes, não havia nenhuma relação bilateral nessa área. Agora, pretendemos trabalhar prioritariamente na economia de hidrogênio e discutir com os Estados Unidos o setor do gás.''
Na área econômica, o contato fluído foi favorecido também pelo bom relacionamento deixado como herança pela equipe do governo Fernando Henrique Cardoso. Na reunião entre o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o secretário do Tesouro americano, John Snow, em junho, ambos acertaram a criação do Grupo para o Crescimento Brasil-Estados Unidos - um fórum bilateral dedicado à análise dos ganhos de produtividade em ambas as economias e sobre as perspectivas de investimentos. O grupo deverá reunir-se mais uma vez nas próximas semanas.

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