Brasil e Equador preocupam BID
As perspectivas econômicas da América Latina, num momento em que o Brasil e Equador enfrentam uma delicada crise financeira, serão o principal tema da 40ª Assembléia Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que inicia seus trabalhos hoje, segunda-feira.
Os presidentes do Uruguai, Julio Sanguinetti, e do Chile, Eduardo Frei, participarão dos trabalhos da assembléia, que reunirá os ministros da Fazenda ou responsáveis monetários de 46 países. Os trabalhos serão inaugurados pelo presidente francês, Jacques Chirac, e encerrados quarta-feira pelo ministro das Finanças do país, Dominique Strauss-Kahn.
Brasil diminuiNa agenda figurará, entre outros temas, a reforma da arquitetura financeira, proposta apoiada pelos principais países da região, como o próprio Brasil e Equador. A Assembléia de Diretores do BID analisará, igualmente, a situação da América Latina depois dos desastres naturais de 1998: os furacões Mitch e George.
As consequências da crise financeira internacional, em particular a redução do comércio mundial, das linhas de crédito e dos investimentos, afetarão em maior ou menor grau todos os países da América Latina em 1999, estimou na sexta-feira passada Guillermo Perry, do departamento América Latina do Banco Mundial, durante um dos seminários que precederam a assembléia do BID.
Segundo Perry, o crescimento da região permanecerá praticamente estancado em 1999, entre 0,8% e 1%. O Brasil, com uma queda de 3%, e a Venezuela, de 2%, serão dois dos países mais afetados.
Apesar de tudo, o ministro da Fazenda do Brasil, Pedro Malan, anunciou na sexta-feira passada, em Paris, que havia obtido dos principais bancos credores (dos Estados Unidos e da Europa, principalmente) a garantia de manter seus compromissos no País durante pelo menos mais seis meses. Esse compromisso permite ao maior país e com a maior economia da região ter um alívio antes de uma nova investida financeira.
Dolarizaçãodegradação da situação no Equador na última semana acrescentará de forma imprevista uma nota de preocupação na reunião. Altos responsáveis latino-americanos entraram em contato com a delegação equatoriana para tomar pé da situação.
Finalmente, a reunião do BID tratará de outras propostas paralelas em consonância com os problemas da região, como a dolarização, proposta pelo presidente argentino, Carlos Menem, que ocupará boa parte dos debates.
O subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos, Larry Summers, falando em um seminário do BID, organizado à margem dos trabalhos da assembléia, chegou a advertir, ontem, aos países que aspiram a dolarização de sua economia, que essa medida acarretará tremendas consequências e exigirá disciplina e flexibilidade no trato de assuntos fiscais.
Summers enfatizou que os Estados Unidos não podem condicionar suas próprias responsabilidades de supervisão bancária, acesso aos descontos da reserva federal ou a orientação de política monetária ao fato de que outros países tenham adotado o dólar como sua própia moeda.
Entre 5.000 e 6.000 pessoas assistirão à 40ª reunião do BID, a segunda em três anos na Europa.(A.F.P.)





