Brasília - Brasil e Colômbia poderão deixar de lado o dólar e usar suas próprias moedas para pagar as transações comerciais entre os dois países, a exemplo do que já acontece com uma parcela das negociações entre Brasil e Argentina desde o final de setembro do ano passado. Este foi um dos principais temas da conversa entre os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, durante visita oficial do colombiano ao País. Lula quer, inclusive, que esse mecanismo seja usado entre os 12 países que integram a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
Lula e Uribe disseram que os presidentes dos bancos centrais e os ministros da Fazenda dos dois países precisam se reunir para acertar como estas negociações comerciais seriam feitas. ''Por que a nossa balança comercial não é feita nas nossas moedas? Por que nós temos que comprar dólar para tratar das exportações colombianas para o Brasil e das brasileiras para a Colômbia?'', i
indagou Lula, durante discurso feito na recepção a Uribe no Itamaraty. ''Precisamos criar regras para que a gente não precise ficar dependente do dólar, que está cada vez mais escasso e cada vez mais problemático.''
Petrobras
Em entrevista após a solenidade, Uribe anunciou ainda que seu país está aberto aos investimentos da Petrobras em um projeto de ampliação da refinaria Reficar em conjunto com a estatal colombiana Ecopetrol. ''Se chegar (à Colômbia) uma empresa como a Petrobras, ela será bem-vinda. As portas estão abertas'', disse. Em princípio, a Petrobras poderá participar de um projeto de ampliação da capacidade de produção da Reficar de 80 mil barris para 140 mil barris por dia. Se a possibilidade se confirmar, a estatal brasileira entrará no empreendimento em lugar da vencedora da licitação aberta pelo governo colombiano, que é a empresa suíça Glencore.
Nos planos originais, a Glencore deteria 51% das ações da sociedade. As obras, entretanto, atrasaram, por causa das dificuldades da Glencore em obter o financiamento necessário, o que irritou o governo de Alvaro Uribe. A empresa suíça havia oferecido, em 2006, um investimento de US$ 630,7 milhões. A Petrobras, que oferecera US$ 595 milhões, perdeu a concorrência. No entanto, na segunda-feira, a Glencore apresentou uma opção de venda de sua participação no projeto para que a Ecopetrol pudesse desenvolvê-lo de imediato. Na manhã de ontem, o ministro de Minas e Energia da Colômbia, Hernán Martínez, anunciou que o governo colombiano está em busca de um novo sócio. A confirmação de que se trata da Petrobras foi feita pelo próprio Uribe, na entrevista.

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