Os governos brasileiro e colombiano vêm estreitando relações para tentar aumentar o comércio entre os dois países. O último esforço foi a ''Rodada de Negócios Brasil-Colômbia'', realizada no mês passado em Bogotá pela Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). No final, o evento ultrapassou em muito a meta inicial e permitiu que cerca de 70 empresas de 21 setores realizassem negócios da ordem de US$ 11,785 milhões com empresários colombianos. A meta inicial era de US$ 3,5 milhões. Quatro empresas do Paraná participaram (leia repotagem nesta página).
A balança comercial entre os dois países é bastente favorável ao Brasil. Em 2005, o Brasil exportou US$ 1,405 bilhão para a Colômbia e importou somente US$ 137,7 milhões. Com isso, o saldo comercial superavitário foi de US$ 1,267 bilhão. De 2002 para 2004, por exemplo, as exportações brasileiras para aquele país tiveram aumento de 63%, embora no mesmo período o aumento total das importações colombianas tenha sido de 30%.
As negociações para melhorar as relações comerciais entre os dois países também contam com a participação ativa do Escritório Comercial da Colômbia em São Paulo (Proexport). Segundo Maria Elvira Pombo, diretora do escritório, ''os governos da Colômbia e do Brasil estão empenhados em ampliar e intensificar as relações comerciais e para isso estão oferecendo aos empresários dos dois países vários encontros de negócios''.
Todo este trabalho tem a chancela dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Álvaro Uribe. Em dezembro do ano passado, os dois encontraram-se oficialmente em Bogotá pela primeira vez. Lula já havia estado três vezes na Colômbia, mas esta foi considerada a sua primeira visita oficial porque o presidente tratou essencialmente da agenda bilateral, foi recebido com honras de chefe de Estado, recebeu a chave de Bogotá do prefeito da cidade e visitou o Congresso e a Suprema Corte.
A visita de Lula ocorreu poucos dias depois do fechamento de um dos maiores negócios já feitos entre os dois países a compra pelo Ministério da Defesa da Colômbia de 25 aeronaves militares Supertucano da Embraer por US$ 234 milhões. A venda vinha sendo negociada há oito anos e será efetivada em três etapas, a primeira delas neste ano.
Outro avanço recente nas relações comerciais entre os dois países se deu com a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e a Comunidade Andina. O bloco sul-americano, liderado por Brasil e Argentina, aceitou que os produtos dos países andinos fossem ''desgravados'' primeiro, ou seja, que tivessem suas alíquotas reduzidas antes que o mesmo acontecesse com as exportações do Mercosul.
De acordo com dados da Apex-Brasil, dos produtos exportados para a Colômbia, 95,8% foram industrializados e 1,4%, básicos. Mesmo que ocupe menos de 2% da fatia das exportações brasileiras, a Colômbia é um destino importante para a cadeia do plástico, máquinas e equipamentos, equipamentos médicos e odontológicos, artigos de higiene pessoal, entre outros.
Para este ano, a Apex-Brasil (www.apexbrasil.com.br) está programando duas feiras setoriais na Colômbia para produtores de software e para a indústria de calçados.
* O jornalista esteve na Colômbia, de 28 de março a 4 de abril, a convite do Escritório Comercial da Colômbia em São Paulo (Proexport)

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