Brasil e Canadá perto de uma guerra de retaliações
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terça-feira, 09 de maio de 2000
Agência Estado De São Paulo 
A forte rivalidade entre as duas maiores indústrias de jatos regionais do mundo, a Embraer e a Bombardier, chegou ao limite do aceitável esta semana e o Brasil e o Canadá estão muito próximos de iniciar uma verdadeira guerra de retaliações comerciais. Até sexta-feira, o governo canadense deverá encaminhar ao Órgão de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) uma carta solicitando autorização para aplicar retaliações comercias contra o Brasil.
Se a OMC autorizar, o governo brasileiro já cogita rever o acordo aeronáutico entre os dois países. Isso implicaria, por exemplo, a redução das frequências de vôos de companhias canadenses ao Brasil ou até a total proibição de pouso de aviões daquele país no território brasileiro. As retaliações comerciais recíprocas criariam um impacto muito negativo e gerariam também um fato político muito sério, disse à Agência Estado uma alta fonte diplomática do Itamaraty.
De acordo com essa fonte, o governo brasileiro terá, agora, de correr contra o tempo para tentar interceptar a correspondência canadense antes que ela chegue ao seu destino e, com isso, evitar a guerra comercial entre os dois países.
Ainda ontem a diplomacia brasileira encaminhou uma carta ao governo canadense solicitando uma reunião de emergência não necessariamente na sexta-feira, data exigida pelo Canadá para tentar encontrar uma fórmula que permita o equilíbrio do comércio de aviões regionais da Embraer e da Bombardier.
A fonte do Itamaraty informou que, na carta enviada ao conselho da OMC, o governo canadense já estipula e especifica a dimensão financeira da retaliação comercial que o Brasil sofreria.
O diplomata explicou que o mais conveniente para o Brasil seria marcar o encontro com os canadenses depois da reunião da Camex (Câmara de Comércio Exterior), agendada para esta quinta-feira, quando seria discutida a briga entre a Embraer e a Bombardier.
O que estamos pedindo ao governo canadense é adiar o sequenciamento que eles estão querendo dar ao anúncio público, feito hoje (ontem), dos relatórios dos dois panels (comitês de arbitragem) da OMC sobre os programas de financiamento às exportações de jatos regionais fabricados pela Embraer e Bombardier, explicou o diplomata.
Para isso, entretanto, o governo brasileiro teria de conseguir emendar, até sexta-feira, um recente acordo bilateral assinado entre os dois países que especifica que as duas partes se comprometiam a não tomar nenhuma providência nos primeiros 15 dias depois que os relatórios se tornassem públicos. Isso significa que o prazo expiraria somente no dia 24 deste mês. Mas o governo canadense entende que o prazo de 15 dias deveria ser contabilizado a partir do dia 28 de abril, quando os dois países receberam os relatórios dos panels da OMC.
A fonte informou que o Itamaraty já entrou em contato com o governo canadense para tentar encontrar uma solução para o impasse das datas.


