Buenos Aires E Brasília - Vinte anos depois de assinado o primeiro acordo de integração entre o Brasil e a Argentina, os dois países decidiram criar as condições para uma etapa básica em um processo de integração: autorizar a residência de cidadãos do país vizinho. Os atuais governos querem que o Mercosul assuma um caráter mais político, e não apenas comercial.
O Brasil propôs até um acordo de igualdade política que, quando aprovado, vai permitir que um argentino se candidate em eleições no Brasil, e vice-versa, que cidadãos argentinos e brasileiros possam votar no país vizinho ou que o partido peronista, por exemplo, abra uma filial no Brasil ou o PT um comitê em Buenos Aires.
Na quarta-feira, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nestor Kirchner vão se encontrar em Puerto Iguazu, na Argentina, para assinar esse e outros acordos e tentar retomar o projeto original da chamada parceria estratégica, estabelecida na Ata de Foz do Iguaçu, assinada pelos ex-presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín do lado brasileiro da fronteira em 30 de novembro de 1985.
O projeto inicial previa uma união bilateral, setorial, ou seja, que unisse as cadeias produtivas dos dois países para evitar as atuais brigas comerciais; gradativo e administrado, o que significa um mecanismo para ajustar a balança comercial do país que tivesse déficit.
Esse é o maior problema entre Brasil e Argentina atualmente. O ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, insiste em criar uma mecanismo automático para barrar as importações brasileiras quando supostamente há excessos. Mas o Brasil não concorda. Depois de um ano de discussão, os dois governos chegaram a um meio termo que será anunciado em Puerto Iguazú.

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