Brasil e Argentina têm que superar obstáculos
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sexta-feira, 02 de janeiro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A maioria dos fornecedores de carne bovina do Brasil e da Argentina já começou a comemorar o surto da doença da vaca louca nos Estados Unidos. No entanto, não será tão fácil tirar proveito dessa situação, mesmo para o segundo e o sétimo maiores exportadores de carne bovina do mundo, respectivamente.
De fato, as chances de os dois países ampliarem suas exportações no longo prazo são boas. Porém, no curto prazo, uma série de obstáculos devem dificultar a tarefa. O primeiro será provavelmente a queda generalizada dos preços da carne no mercado internacional, provocada pela redução acentuada da demanda no próprio mercado norte-americano.
Em um segundo ponto está a estrutura do mercado internacional de carne bovina: os Estados Unidos são o terceiro maior exportador, mas os tipos de corte que o país destina ao exterior são diferentes dos comercializados por outras nações. Por exemplo, os Estados Unidos abastecem aproximadamente 95% do mercado global de cortes de gado de criação intensiva, alimentado com milho.
A maioria dos outros exportadores, entre eles o Brasil, comercializa principalmente cortes de um tipo de gado mais magro, de criação extensiva. Isso significa que o mercado doméstico dos Estados Unidos pode acabar absorvendo parte da produção local que não foi escoada para outros países, em vez de comprar a carne brasileira ou argentina.
Para completar, os Estados Unidos também ocupam o posto de maior importador de carne, gastando cerca de US$ 3 bilhões por ano em cortes tradicionais de outros mercados. ''Ainda não se sabe exatamente o que vai acontecer'', disse o analista da Alaron Trading em Chicago, Chuck Levitt. ''Talvez, os Estados Unidos deixem de comprar carnes da Austrália, do Brasil, da Argentina e de outros países.''


