Brasília- Os governos do Brasil e da Argentina se comprometeram a retomar o projeto de construção da usina hidrelétrica de Garabi, no Rio Uruguai, fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina. A decisão foi anunciada ontem, ao término da reunião da Comissão Mista Permanente do Setor Elétrico Brasil-Argentina. O projeto está suspenso desde 1996 em virtude de um contencioso socioambiental do lado brasileiro.
Segundo estudos realizados pela Eletrobrás, seriam necessários investimentos de cerca de US$ 200 milhões para contornar os danos ambientais e sociais causados pela obra. O projeto foi idealizado em 1972 pelos dois países. Em 1996, ambos os governos haviam concordado em entregar a obra à iniciativa privada.
Segundo a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, esse enfoque será mantido, e a obra deverá ser licitada. O projeto inicial prevê que a hidrelétrica terá capacidade de produção de 1.200 a 1.800 megawatts (MW).
Na reunião, a comissão mista decidiu também criar um grupo de trabalho para estudar a retomada das obras do gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre, que transportará gás natural argentino.
A comissão decidiu criar outro grupo de trabalho, incumbido de propor um modelo para o intercâmbio permanente de energia spot entre os dois países. Ao término da reunião, a ministra informou que a capacidade de transporte de energia elétrica entre Brasil e Argentina, a partir da subestação de Garabi, na fronteira, é de 2.000 megawatts. Segundo ela, os dois países querem aumentar o uso dessa energia de ambos os lados, a partir da criação de uma espécie de ''conta corrente''.
Tanto Dilma quanto Camerón enfatizaram que o novo modelo não deverá basear-se apenas nas transações financeiras, mas dar ênfase também ao intercâmbio físico de energia. A ministra lembrou que a oferta de energia elétrica no Brasil é maior no período do inverno, quando o consumo na Argentina se eleva acentuadamente. Já no Brasil o consumo aumenta no verão, quando há disponibilidade de energia do lado argentino.

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