Brasil e Argentina negociam restrições
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terça-feira, 06 de dezembro de 2005
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - O recente surto de febre aftosa está prejudicando as exportações brasileiras de lácteos e carne suína para a Argentina. No caso dos lácteos, há recentes restrições sanitárias a produtos derivados do leite, inclusive chocolates. Segundo o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, ''o entendimento brasileiro é que essas exigências não se justificam e devem ser suspensas''.
Ele participou ontem de reunião bilateral Brasil-Argentina no Rio e explicou que vários caminhões carregando derivados de leite estão parados na fronteira brasileira. Segundo Ramalho, os argentinos passaram a exigir um certificado de que esses produtos brasileiros não têm como matéria-prima o leite do gado contaminado com aftosa.
No caso dos suínos, a Argentina se recusa a receber não apenas a carne dos animais do Mato Grosso do Sul - restrição que o Brasil considera aceitável -, mas também de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Estados considerados livres de aftosa. ''Pedimos urgência que a entrada da carne suína desses dois Estados seja liberada e os argentinos disseram que a restrição será suspensa'', disse Ramalho.
Apesar das restrições, a Argentina foi um dos principais destinos responsáveis pelo aumento do valor agregado das exportações brasileiras neste ano. Os produtos manufaturados participaram com 91,5% das exportações de US$ 9 bilhões do Brasil para a Argentina acumuladas de janeiro a novembro deste ano (aumento de 35% ante igual período do ano passado).
Veículos - A renovação do acordo automotivo entre os dois países também foi discutida. O acordo em vigor expira no dia 31 de dezembro e o objetivo atual é garantir sua prorrogação para 2006. Ramalho explicou que os argentinos querem mudança na chamada regra Flex, pela qual a cada 2,6 carros exportados pelo Brasil para a Argentina, é preciso importar um. Segundo o acordo em vigor, essa conta é feita sobre o total de veículos exportados, independente das empresas.
A Argentina quer mudar a regra e exigir que o atual acordo 2,6 por 1 seja aplicado no caso de cada empresa, separadamente, o que forçosamente acabaria ampliando as importações brasileiras daquele País. O Brasil prefere renovar o acordo com a regra Flex em vigor. ''Houve um avanço considerável de pontos de vista'', disse Ramalho, acrescentando, porém, que ''todos concordam que o acordo prossiga em 2006, mas não há um entendimento técnico final.''
Ele acredita que as pendências estarão resolvidas até o final deste ano e adiantou que haverá uma nova reunião sobre o assunto em Buenos Aires na próxima semana. O Brasil exportou o equivalente a US$ 1,1 bilhão em automóveis de passageiros para a Argentina no acumulado de janeiro a novembro deste ano e importou US$ 360 milhões desses produtos daquele País.


