Brasil e Argentina negociam para deter guerra comercial
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terça-feira, 13 de julho de 2004
Ariel Palacios<br>Agência Estado 
Buenos Aires - Representantes dos governos do Brasil e da Argentina se reúnem hoje para tentar deter a escalada de conflitos que promete reeditar a guerra comercial que confrontou os dois países em 1999. O protagonista dos conflitos é a venda de eletrodomésticos Made in Brazil para o mercado argentino, que o governo de Néstor Kirchner pretende restringir. No entanto, a guerra está se espalhando rapidamente para outros setores, que também exigem mais proteção contra a suposta ''invasão'' de produtos brasileiros, como os têxteis, suínos, calçados, móveis e máquinas agrícolas.
No meio da ''Guerra das Geladeiras'', como foi batizada a disputa comercial que envolve os eletrodomésticos, chegará à Buenos Aires o secretário-geral do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Fortes, acompanhado de um grupo de empresários do setor. Fortes se reunirá com o secretário de Indústria da Argentina, Alberto Dumont, que em breve poderia deixar o cargo e partir para Paris, onde ocuparia o posto de embaixador.
O clima tenso na capital argentina aumenta com as previsões empresariais de que a reunião entre Dumont e Fortes tem um superávit de ingredientes negativos que a levariam ao fracasso. Manfredo Arheit, presidente da Associação de Industriais Metalúrgicos da Argentina (Adimra), que reúne fabricantes de eletrodomésticos do país, considera que as chances de que os dois países fechem um acordo são escassas. ''Nenhum dos dois lados vai ceder'', sustenta. No melhor dos casos, segundo Arheit, pode surgir um acordo. Mas este eventual pacto privado ''não vai solucionar o problema desde a raiz. Pode proporcionar uma tranquilidade temporária, mas não uma solução duradoura''.
A Admira publicou ontem um comunicado em jornais argentinos com o título ''Em defesa da produção e do trabalho argentino''. No comunicado, a organização sustenta que as ''assimetrias'' macro-econômicas com o Brasil ''não permitem o desenvolvimento harmônico e equilibrado'' da indústria argentina.
Na semana passada o ministro argentino da Economia, Roberto Lavagna, anunciou a aplicação de licenças não-automáticas para a entrada de eletrodomésticos de linha branca provenientes do Brasil. O anúncio, realizado na véspera da cúpula do Mercosul, caiu como um balde de água fria no encontro presidencial.
Para a importação de televisores, Lavagna anunciou a aplicação de uma tarifa de 21%. O argumento para estas medidas é que o setor estava sendo ''invadido'' pelos produtos brasileiros. Os empresários argentinos afirmam que o conflito pode ser negociado. No entanto, exigem a aplicação de cotas que restrinjam a entrada de eletrodomésticos fabricados no território brasileiro.
O ministro Lavagna alertou para o risco de que os empresários argentinos aproveitem a redução drástica da concorrência de eletrodomésticos Made in Brazil para aumentar os preços dos produtos do mercado interno. ''Não vou dar permissões de corsários para setor algum'', disparou Lavagna, que deixou claro que não tolerará aumentos.


