Buenos Aires Enfraquecido pela crise econômica nos quatro sócios, o Mercosul encerrará hoje sua reunião de cúpula sem a assinatura do principal acordo esperado. O Brasil e a Argentina não conseguiram chegar a um acerto final sobre a nova versão da Política Automotiva Comum, que permitiria a mudança em curto prazo das atuais regras para o comércio de veículos entre os dois países. O tema continuará em negociação neste semestre, durante os cinco meses da presidência temporária do Brasil. Ontem, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, indicou que o governo brasileiro está disposto a ''não penalizar'' as montadoras brasileiras que descumpriram as regras em vigor.
''Não haverá tempo para que as discussões sejam encerradas até amanhã (hoje). O acordo automotivo conta com cláusulas jurídicas complexas'', afirmou Amaral. ''Dentro dos limites possíveis, podemos ajudar (as montadoras que não cumpriram as atuais regras do comércio bilateral). Não temos interesse nenhum em penalizar qualquer setor produtivo'', completou.
Hoje, os governos do Brasil e da Argentina deverão emitir apenas um ''entendimento'' sobre os princípios que vão reger a nova versão do acordo automotivo. O documento terá um caráter genérico. Mencionará, por exemplo, o compromisso de ambos os países em adotar o livre comércio para o setor entre 2005 ou 2006, conforme explicou Amaral. Seu ponto nevrálgico aquele que definirá o déficit no comércio bilateral do setor que o Brasil deverá arcar ainda continua em discussão.

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