O impasse entre o Brasil e a Argentina envolvendo a inclusão do açúcar na pauta de negociação do Mercosul poderá ter um desfecho nos próximos dias. A pendência é sobre a alíquota do Imposto de Importação imposta pela Argentina à compra do produto brasileiro. ‘‘Isso não quer dizer tarifa zero para o açúcar a partir de 1º de janeiro do ano 2000, mas sim um regime de adequação que até hoje não existe’’, disse o ministro da Indústria, Comércio e Turismo, José Botafogo Gonçalves.
Até o dia 5 de julho deverá estar concluído um parecer técnico elaborado por um especialista brasileiro e outro argentino, que vai direcionar as discussões entre os dois países sobre o único produto que ainda está fora da pauta do bloco. Os dois peritos - Elizabete Serodio e Alberto de Las Carreras -, nomeados pelos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, terão a primeira reunião para discutir o assunto hoje, no Rio de Janeiro.
Botafogo explicou que até agora a tarifa do Imposto de Importação imposta ao açúcar brasileiro pela Argentina, que pode chegar a até 30%, impede a venda do produto em território argentino. Para manter essa tarifa, os produtores daquele país alegam que o açúcar brasileiro é subsidiado pelo Proálcool.
‘‘Esta alegação não procede. Até hoje não houve, do lado do Brasil, suficiente empenho político e pressões para levar a Argentina a sair dessa posição não negociadora’’, disse o ministro. Segundo ele, os dois peritos poderão produzir um relatório conjunto, se houver acordo; caso contrário, produzirão um relatório individual. Esse relatório vai embasar os entendimentos governo a governo que serão feitos durante a reunião dos dirigentes dos países do Mercosul a ser realizada em Ushuaia, na Terra do Fogo, em julho.
Na avaliação de Botafogo, a inclusão do açúcar na pauta do Mercosul é o primeiro passo para que os países do bloco tenham mais força para derrubar, posteriormente, as barreiras contra o produto na Europa e nos Estados Unidos. ‘‘Nossa intenção é de negociarmos sempre como bloco’’, disse o ministro.
O açúcar produzido no Brasil é o mais competitivo do mundo. Só é exportado, no entanto, para a Rússia, Nigéria, África e países do Oriente em função das barreiras e cotas estabelecidas pela Europa e Estados Unidos. A produção mundial de açúcar é de 125 milhões de toneladas e o Brasil produz 15 milhões de toneladas, segundo Elizabete Serodio.
Dados levantados pelo ministério indicam que, com a liberalização do mercado de açúcar, o Brasil poderia ampliar as exportações para os Estados Unidos em 3 milhões de toneladas, por exemplo. Este número é significativo, se for considerado que as exportações totais do produto brasileiro somam 6,5 milhões de toneladas. O Brasil também se destaca no Mercosul, onde responde por 89% da produção de açúcar.

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