Brasil é a tartaruga e Argentina, a lebre
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segunda-feira, 24 de março de 2008
Daniela Milanese<br>Agência Estado 
Londres- A tartaruga e a lebre. Essa é a comparação que a revista americana The Economist faz entre as economias do Brasil e da Argentina, respectivamente. A referência pode parecer desfavorável ao País em um primeiro momento, mas na verdade a revista levanta um debate: por que a ''marota'' Argentina segue crescendo 9% enquanto o ''bem-comportado'' Brasil não tem o mesmo resultado?
''É hora de reescrever os livros de economia?'', questiona a edição desta semana. ''Os argentinos gostariam de achar que sim. Mas há sinais de que o Brasil ainda pode passar à frente.''
A revista lembra que o País adotou uma política ortodoxa, com câmbio flutuante e que passa pela aceitação dos investidores estrangeiros. Já a Argentina, se depara com fixação de preços, taxação de exportações e questionamentos sobre os índices de inflação oficiais.
A revista americana considera que os dois países recentemente divulgaram números fortes sobre a economia. O Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas e bens produzidos em um país) no ano passado cresceu 8,7% na Argentina e 5,4% no Brasil. Mas a reação política foi diferente: o governo brasileiro mostrou preocupação com a inflação, enquanto o argentino viu o resultado como a justificativa de sua sabedoria. Conforme a The Economist, os políticos argentinos parecem ''determinados em demonstrar que tudo que a América Latina precisa para crescer tão rápido quanto a China é rejeitar a camisa-de-força do neoliberalismo''.
A revista cita os caminhos seguidos pelos dois países a partir das crises de 2001 e 2002 para mostrar ''como dois líderes de esquerda podem adotar políticas tão diferentes''. A Argentina abandonou o câmbio fixo, desvalorizou o peso e ficou inadimplente em seu endividamento público. ''O Brasil respondeu à turbulência no mercado de câmbio e de títulos em 2002 com aperto fiscal e política monetária.''
Para a revista, hoje o Brasil ''está mais preparado do que pode parecer''. Segundo a The Economist, em termos reais, a renda nacional começou a acompanhar a argentina. ''O Brasil tem mais espaço de manobra se a perspectiva (para a economia) piorar. O país está livre para cortar os juros ou aumentar os gastos públicos'', diz. ''A Argentina, ao contrário, se colocou em posição para aterrissagem forçada.


