Brasil é 5º em investimento externo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de setembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
O Brasil é a estrela do momento entre os países emergentes, segundo o Relatório sobre Investimento no Mundo, da United Nations Conference On Trade An Development (Unctad). Pela primeira vez, em mais de dez anos, o País, que recebeu US$ 9,5 bilhões no ano passado, foi o segundo maior receptor de investimentos diretos estrangeiros entre os países em desenvolvimento, só perdendo para a China. No ranking mundial, o País subiu da 14ª posição para a 5ª. Os dados foram divulgados ontem pela Sociedade Brasileira de Estudo de Empresas Transacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).
Os investimentos diretos feitos por empresas multinacionais no mundo somaram em 1996 US$ 346,8 bilhões, 10% mais do que em 1995. Boa parte disso, 41%, foi investida nos países emergentes, que receberam US$ 141 bilhões, o maior volume destinado aos países em desenvolvimento nos últimos 15 anos, segundo o relatório. A China, no entanto, ainda é, de longe, o País mais atraente entre os emergentes. Ela recebeu, no ano passado, US$ 42,3 bilhões. No ranking geral, os chineses só perdem para os Estados Unidos, que ficaram com US$ 84,6 bilhões do total investido.
A liderança consolidada dos chineses entre os emergentes não impediu, no entanto, que o Brasil apresentasse bom avanço, entre 1994 e 1996, não só entre os países em desenvolvimento, como entre os principais receptores mundiais de investimento direto estrangeiro. Em 1994, além da China, México, Cingapura e Malásia estavam à frente do Brasil entre os emergentes. No ranking geral, o Brasil ocupava a 16ª posição. Um ano depois, caiu para o 14º lugar. No ano passado, entre os emergentes, o País ainda perdia para México e Cingapura, além da China. Este ano, na 5ª posição no ranking geral, o Brasil só está atrás dos Estados Unidos, China, Reino Unido e França.
O Brasil também é o país emergente que tem o maior estoque de investimento direto estrangeiro em atividade, depois da China. O estoque brasileiro somava, no fim do ano passado, US$ 108,3 bilhões. Das 500 maiores empresas transacionais, 387 já estão no mercado brasileiro. O País melhorou também sua participação nos fluxos totais mundiais de investimento direto, que passou de apenas 0,6%, em 1993, para 2,7%, no ano passado. Esse é um momento muito favorável aos países em desenvolvimento e o Brasil teve sorte de conseguir consolidar a estabilidade econômica neste momento, o que o tornou mais atraente, observou Octávio de Barros, diretor da Sobeet.
Do fluxo total de investimento direto no ano passado, 78% resultam de fusões e aquisições. O número de fusões e aquisições é maior nos países desenvolvidos. Nos emergentes, o percentual é menor porque há outras formas de negócios, diz Barros. Para ele, uma das importantes análises contidas no laboratório é o alerta para que os países fortaleçam suas políticas de competição para que essas fusões não tragam prejuízos aos consumidores. Os fluxos de investimento direto estrangeiro estão levando a uma concentração do mercado, o que obriga a adoção de políticas para regulamentar a competição entre empresas, observa o presidente da Sobeet, Pedro da Mota Veiga. Para ele, o Brasil está seguindo essa tendência. A atuação do Cade transformou o Brasil num praticante de política de competição, concluiu.


