O Brasil manteve em setembro a terceira colocação no ranking mundial de taxas de juros reais, segundo pesquisa mensal realizada pela Global Invest. No mês passado, a taxa sofreu uma ligeira alta, ao passar de 9,4% ao ano para 9,5% . Essa variação é resultante do confronto entre a taxa de juros nominal de 16,6% acumulada em 12 meses e a inflação de 6,5% acumulada no mesmo período pelo IPCA.
A pesquisa da Global Invest considera as taxas básicas de curto prazo exercidas nos últimos 12 meses, deflacionadas pelos índices de preço ao consumidor - o IPCA no caso brasileiro. O levantamento abrange 40 países, dos quais 23 são emergentes e 17 desenvolvidos.
De acordo com a Global Invest, nos últimos meses a taxa de juros real vem seguindo uma rota de alta por causa das últimas elevações da taxa Selic e a queda da inflação.
''A inflação, como já era esperado, está em trajetória de queda e a nossa previsão é de que continue assim nos próximos meses, o que significa que podemos esperar que a taxa de juros real do Brasil continue a subir'', afirma o economista e estrategista da Global Invest, Fernando Pinto Ferreira.
A liderança do ranking mundial ficou, pela 14º mês consecutivo, com a Polônia, cuja taxa de juro real caiu para 23,5% ao ano, contra 24,6% em agosto. De acordo com a Global Invest, a tendência de queda do juro real polonês continuará nos próximos meses, já que a taxa nominal continuará progressivamente reduzida, fechando o mês de setembro em 14,3% ao ano.
A Argentina, de acordo com a pesquisa, manteve a segunda posição no ranking, fechando setembro com uma taxa real de 13,2% ao ano, contra 12,5% ao ano em agosto. A taxa de juros nominal acumulada em 12 meses no país vizinho subiu para 11,9% ao ano, o nível mais alto desde julho de 1999.
Segundo Pinto Ferreira, o fato de a taxa de juros real argentina estar acima da nominal se deve à deflação decorrente do baixo nível de atividade econômica. De modo geral, as taxas de juros nominais apresentaram queda, tanto nos países desenvolvidos como nos emergentes. Isso é, segundo a Global Invest, reflexo da tentativa dos bancos centrais dos países principais de evitar um processo de recessão global após os atentados terroristas dos EUA. Em setembro, as taxas caíram de 4% para 3% ao ano na média dos países desenvolvidos e de 11,7% para 11,1% ao ano nos emergentes.

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