Arquivo FolhaAlto riscoNúmero de trabalhadores acidentados cresceu 9,2% em 1995, após queda significativa nos anos anteriores


BRASÍLIA - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou ontem, em Brasília, uma campanha nacional para a prevenção de acidentes no trabalho, que será feita de forma itinerante nos 27 Estados do País. A campanha começa no dia 26 de fevereiro, em Brasília, com um dia inteiro de debates e seminários, e termina no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro.
Para a CNI, as estatísticas sobre acidentes de trabalho no País são preocupantes. Depois de apresentar significativa queda nos últimos anos, o número de acidentes no trabalho voltou a crescer em 1995, atingindo 424.137 trabalhadores, um aumento de 9,22% em relação ao ano anterior. O número de mortes aumentou 23,7%.
O presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), afirma que o Brasil tem desperdiçado dinheiro e vidas com acidentes no trabalho. ‘‘Nossa média é bem acima do nível mundial’’, disse o senador. Pelos dados apresentados pela CNI, com base em estatísticas do governo, no período de 1971 a 1995 o Brasil registrou 28.798.093 acidentes de trabalho, sendo que 104.237 resultaram em morte dos trabalhadores. Esses números, alarmantes, fazem do Brasil o 10º país do mundo em acidentes no trabalho.
Com tanto trabalhador acidentado, os gastos do País também são grandes com os acidentes e as doenças profissionais. Segundo estatística da Previdência Social, o País gastou R$ 4 bilhões em 1995. Desse total 85% foram pagos diretamente pelas empresas, pois corresponderam aos primeiros 15 dias de afastamento do trabalhador, cujo ônus cabe ao empregador. Os restantes 15%, que correspondem a R$ 850 milhões, correram à custa do Instituto Nacional do Serviço Social (INSS). Em 1995, a arrecadação do INSS para custear as despesas com tratamento médico e indenizações foi de R$ 2,5 bilhões.
Para o senador Fernando Bezerra, é preciso atingir os pequenos empresários e os seus trabalhadores. A campanha da indústria para a prevenção de acidentes no trabalho, que envolve o Sesi e o Senai, terá um custo aproximado de R$ 2 milhões.

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