Brasil doará vacinas ao Uruguai
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segunda-feira, 30 de abril de 2001
Paulo Cabral Por Gecy Belmonte Agência Estado 
O Brasil vai doar um milhão de doses de vacina contra a febre aftosa para o Uruguai. Recebemos autorização do presidente (Fernando Henrique Cardoso) e as vacinas serão embarcadas amanhã (hoje) em um avião da FAB para o Uruguai, informou o ministro da Agricultura e Abastecimento, Marcus Vinicius Pratini de Moraes.
As vacinas serão utilizadas ao redor das regiões onde apareceram focos da doença no Uruguai. São vacinas produzidas por diversos laboratórios brasileiros que serão doadas pelo governo, explicou o ministro.
Pratini passou o dia de ontem reunido com técnicos do ministério no Rio de Janeiro. No fim da tarde, o ministro embarcou para Porto Alegre para uma reunião com o governador Olívio Dutra (PT).
O ministro destacou que o controle dentro do Rio Grande do Sul cabe ao próprio Estado. O governo federal vai se concentrar nas áreas de fronteira, disse.
O avanço da febre aftosa no Uruguai, onde desde a semana passada até onterm haviam sido registrados mais de 50 focos da doença, levou o Ministério da Agricultura a reavaliar a sua posição de não vacinar o rebanho gaúcho, estimado em 12,5 milhões de cabeças, contra o vírus da doença. O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, teve ontem uma reunião de emergência com o governador Olívio Dutra, no Palácio Piratini, em Porto Alegre, para discutir medidas que serão tomadas para proteger o rebanho do Estado, entre as quais está a retomada da vacinação.
O governo está também reforçando o controle das fronteiras do Brasil com a Argentina, Uruguai e Paraguai, para evitar o contrabando de gado que possa ser portador do vírus. Após enviar unidades das Forças Armadas para pontos estratégicos na fronteira com a Argentina e o Uruguai, o presidente Fernando Henrique Cardoso determinou hoje que unidades do Exército, da Marinha e da Aeronáutica passem a controlar a divisa dos municípios de Ponta Porã, Bela Vista e Corumbá, em Mato Grosso do Sul, com o Paraguai e a Bolívia. Essas localidades são tradicionais rotas de contrabando de gado para o Brasil.
A preocupação maior é evitar a entrada da aftosa na região Sul, uma vez que a doença já ataca os rebanhos da Argentina, Paraguai e Uruguai, fazendo com que o Brasil seja o único País livre da moléstia no Cone Sul.
Apesar de vir resistindo à pressão do governo do Rio Grande do Sul e dos pecuaristas do Estado para retomar a vacinação, o Ministério da Agricultura já tem pronto um plano para vacinar não só os rebanhos gaúchos como os de Santa Catarina. O governo possui cerca de um milhão de doses de vacinas em estoque, e a imunização dos rebanhos gaúchos e catarinenses contra a aftosa depende apenas da evolução do quadro no Uruguai, segundo um assessor do Ministério da Agricultura.
A vacina brasileira é para os tipos O, A e C. O Ministério da Agricultura, não tem certeza, contudo, se a vacina produzida no Brasil pode combater o vírus registrado na Argentina, embora este seja do tipo A, o mesmo transmitido para o Uruguai, porque este apresenta várias subtipificações na Argentina.
O Ministério da Agricultura vem resistindo à retomada da vacinação no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina porque os dois Estados possuem o status de livre da aftosa sem vacinação. Em outubro próximo, o governo pretende pedir o reconhecimento desse título ao Escritório Internacional de Epizootias (OIE), com sede em Paris e que determina as regras internacionais de sanidade que devem ser seguidas para combater a doença.
A retomada da vacinação, além de impedir o encaminhamento dessa solicitação,trará prejuízos às indústrias, especialmente as de Santa Catarina que estão exportando carne de suíno para países como a Rússia, onde a inexistência de vacina contra aftosa é uma exigência para a importação.
O ministro Pratini de Moraes estará com os ministros da Agricultura dos demais países do bloco, nesta quarta-feira, durante a 8ª Reunião do Comitê Hemisférico de Erradicação de Febre Aftosa (Cohefa), que acontecerá no Hotel Renaissance, em São Paulo, e pretende discutir medidas para proteger os rebanhos da doença.


