Brasil deve subir no ranking mundial
O setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos está em franco crescimento no Brasil. Atualmente, o País ocupa a terceira posição no ranking mundial de consumo, sendo precedido apenas pelo Japão e Estados Unidos. Entretanto, o Brasil lidera o mercado mundial em desodorante, produtos infantis e perfumaria e ocupa a segunda posição em consumo de produtos para higiene oral, proteção solar, masculinos, cabelos e banho.
''A possibilidade de o País ultrapassar o Japão neste ano e se tornar o segundo maior consumidor do mundo é de 99,9%'', afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basilio. ''A grande catástrofe que assolou o Japão neste ano deixou a economia daquele país bastante recessiva, o que favorece o Brasil na posição mundial'', justifica.
A professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, da Unesp de Araraquara (SP), Vera Isaac, que recentemente ministrou workshop sobre cosméticos em Londrina, lembra que no ano passado o País conseguiu desbancar a França no ranking mundial e passou a ocupar a terceira posição. ''É muito significativo sermos o terceiro maior consumidor do mundo porque desde crianças ouvimos falar em cosméticos e imediatamente pensamos nos produtos franceses'', observa Vera.
De acordo com Basilio, nos últimos 15 anos a indústria nacional do setor cresceu quase quatro vezes mais que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Entre os fatores que contribuíram para o excelente crescimento, ele destaca: a estabilização da moeda e a implementação do Plano Real, a redução da carga tributária no setor, participação crescente da mulher brasileira no mercado de trabalho e melhor distribuição de renda e da capacidade de compra da população. Outros pontos que influenciam no processo são o aumento da expectativa de vida, que traz a necessidade de conservar a impressão de juventude e os lançamentos constantes de novos produtos, atendendo cada vez mais às necessidades do mercado, além da utilização de tecnologia de ponta e consequente aumento da produtividade.
Vera complementa que a abertura do público masculino, ''que ficou menos preconceituoso com relação ao uso dos produtos'', também colaborou para o aumento do consumo''. Além disso, mais indústrias passaram a explorar a produção de cosméticos no Brasil.
Conforme e Abihpec, existem 1.659 empresas atuando no mercado brasileiro de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, distribuídas nas regiões Norte (25), Centro-Oeste (126), Nordeste (139), Sudeste (1047) e Sul (322). O Paraná possui 145 indústrias do segmento.
De acordo com a Associação, São Paulo tem a maior representatividade do setor e detém quase 80% da produção nacional. O Paraná, por sua vez, tem praticamente o mesmo número de indústrias de Minas Gerais e Rio de Janeiro (146). ''Entretanto, Minas Gerais não tem nenhuma fábrica com uma grande marca, enquanto o Paraná tem O Boticário como referência expressiva, sem dúvida nenhuma'', afirma o presidente Basilio. Segundo ele, a marca já é uma das 20 maiores do mundo no setor. (A.V.)





