Brasil deve ser diferente contra crise
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Epaminondas Neto<br> Folhapress 
São Paulo - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou ontem que o Brasil não deve usar os ''mesmos remédios'' dos demais países contra a crise financeira internacional. ''A crise atinge os países de maneira diferente; devemos ter o cuidado de não prescrevermos os mesmos remédios'', disse ele, durante seminário sobre os impactos da crise no risco-Brasil, na capital paulista.
''Devemos lembrar que remédios têm efeito colaterais. E que devemos tomar o remédio mais preciso possível para o nosso problema'', acrescentou. A metáfora de Meirelles pode ser vista como uma ''resposta'' aos críticos mais ferozes do BC, que pediram um relaxamento da política monetária, na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) da semana passada, em linha com as medidas tomadas pelos demais bancos centrais do mundo. O BC brasileiro, no entanto, optou por manter a taxa Selic em 13,75%, uma dos maiores juros básicos mundiais.
Meirelles afirmou que o país ''entrou na crise'' de forma muito acelerada, citando, entre outros números, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre de 2008 - de 6,8%.
O titular do BC também adiantou números sobre o crescimento das concessões de crédito, considerando os números disponíveis até 26 de novembro. Segundo Meirelles, o crédito para pessoa física cresceu 6,7% na comparação com os números de outubro, mas ainda representa um declínio de 0,9% sobre o volume emprestado em agosto.
Normalização
O titular do BC procurou mostrar que já houve uma relativa normalização da economia após o período de turbulências entre outubro e setembro. Segundo Meirelles, a média de concessão de ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio) passou de US$ 78 milhões/semana no pior momento de outubro para mais de US$ 200 milhões em dezembro, em níveis semelhantes aos registrados em agosto.
O estreitamento das linhas de crédito comércio foi justamente um dos primeiros impactos da crise mundial sobre o país, quando houve os bancos e empresas brasileiras começaram a ter dificuldades em captar recursos no exterior, num momento de extrema aversão ao risco no mercado de capitais mundial.
Sem a fonte de recursos externa, as grandes instituições brasileiras começaram a restringir o repasse de recursos tanto para empresas quanto para bancos médios e pequenos, que começaram a acusar dificuldades para fechar o caixa no giro diário de operações. ''(Já) Houve uma normalização das condições de liquidez dos bancos médios e pequenos'', disse Meirelles.


