Brasil deve retirar barrerias
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Brasília O Brasil está trabalhando para eliminar todas as barreiras comerciais com a Argentina, disse à Agência Estado o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral. Medidas nessa direção serão anunciadas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso durante sua visita a Buenos Aires, nos dias 17 e 18. É a forma encontrada pelo País para reafirmar sua solidariedade à Argentina e reforçar o Mercosul.
Uma maior abertura comercial, porém, é uma via de mão dupla. O Brasil está disposto, por exemplo, a eliminar todas as salvaguardas aplicadas a produtos argentinos, como o leite em pó. No entanto, tal medida seria adotada como parte de um esforço conjunto para limpar a mesa das diversas disputas comerciais existentes entre os dois países.
Outra medida que vem sendo discutida é a possibilidade de acabar com os mecanismos do acordo automotivo que hoje garantem equilíbrio entre as importações e exportações de carros e peças feitas pelos dois países.
Estuda-se criar uma margem de tolerância de 50% para cada lado, ou mesmo liberar o volume de exportações. No ano passado, o Brasil teve um déficit da ordem de US$ 500 milhões nas transações com a Argentina nesse setor.
Resistência Teoricamente, uma margem de tolerância maior abriria mais espaço para as exportações do país vizinho. Porém, o raciocínio também vale no sentido contrário, ou seja, as empresas brasileiras estariam livres para ampliar suas vendas à Argentina. Por isso, a idéia enfrenta resistência pelo lado argentino.
Na avaliação de Sérgio Amaral, as exportações para o país vizinho estão próximas do piso, não têm muito mais como cair. Ele lembrou que a retração no comércio chegou a 19,74% no ano passado e a participação da Argentina na pauta exportadora chegou a 8,6%, quando no passado já foi de 13%. Amaral acredita que as vendas não cairão mais porque o Brasil é uma importante fonte de abastecimento para a Argentina.
O comércio bilateral enfrenta ainda outro problema. Mais do que redução nas exportações, estamos vivendo neste momento um travamento pela dificuldade na realização de pagamentos, na medida em que o sistema bancário na Argentina não voltou a funcionar normalmente, disse o ministro.
CCR Uma forma que vem sendo negociada para restabelecer o fluxo de pagamentos é a reativação do Convênio de Crédito Recíproco (CCR), uma câmara de compensação entre os bancos centrais da América Latina.
O objetivo, explica Amaral, é aumentar o valor e alongar o prazo das operações abrigadas no CCR, o que ampliaria a gama de produtos exportáveis por esse mecanismo. É preciso, no entanto, que a Argentina também retire as limitações que impôs ao CCR.
Segundo um diplomata brasileiro, a resistência dos vizinhos decorre do fato de que a utilização mais intensiva do CCR levaria o governo a assumir um maior volume de dívidas do setor privado local. Isso porque no CCR as operações não são liquidadas entre as empresas, mas entre os bancos centrais.
Sérgio Amaral reconhece as dificuldades, mas avalia que a Argentina está no caminho correto. Era muito difícil, nas condições que esse governo assumiu, ter conseguido resolver todos os problemas no curto prazo, disse o ministro.
Ele acredita, porém, que as providências devidas estão sendo tomadas, embora haja muito trabalho pela frente. É necessário fazer um plano mais consistente. E é preciso também que a comunidade financeira reaja de forma mais coordenada.


