Brasil deve receber para preservar a Amazônia
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terça-feira, 10 de março de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Países desenvolvidos que já desmataram boa parte de suas florestas nativas deveriam pagar ao Brasil pela preservação da Floresta Amazônica. Esta conduta deveria ser adotada porque estes Estados já desmataram suas florestas nativas e, agora, o clima do mundo depende da Amazônia. A opinião é de Detlev Drenckhahn, presidente da Worldwide Fund for Nature (WWF) Alemanha, que esteve em Londrina na segunda-feira à noite. Ele ministrou palestra na Sociedade Rural do Paraná para cerca de 400 pessoas sobre meio ambiente e ações da organização não governamental no mundo.
O evento, realizado em parceria com a Agência de Desenvolvimento Terra Roxa, também teve como objetivo iniciar as discussões sobre produção agrícola e preservação ambiental, tema da 49ªExposição Agropecuária e Industrial que começa no próximo mês. Drenckhahn é médico e professor da Universidade Julius Maximilian, localizada no sul da Alemanha. Segundo ele, a WWF é uma das maiores ongs ambientais do mundo, presente em mais de 50 países, com rendimento anual de cerca de 1 bilhão de euros. A maior parte dos recursos são de doações feitas por pessoas físicas.
São mais de 5 milhões de membros e cerca de 1,2 mil projetos desenvolvidos. Temos dinheiro para ajudar os países a desenvolver seus projetos de preservação, salientou o presidente. Sobre a preservação ambiental, ele explicou que as florestas têm influência direta no regime de chuvas de todos os Países. Sem a Amazônia não ocorreriam tantas chuvas aqui no Paraná. Há muitos desertos na África porque as florestas já foram desmatadas, comentou. Segundo Drenckhahn cerca de 6 milhões de hectares de florestas são destruídos por ano, dos quais 2 milhões são da Amazônia.
O Brasil é o quarto maior emissor de poluentes do mundo, que provoca o efeito estufa. Isto ocorre devido ao desmatamento, salientou o presidente da WWF Alemanha. Por isso, na sua avaliação, os outros países deveriam pagar ao Brasil para que a floresta permaneça intacta. Acredito que todos devem pagar (pela preservação). O Brasil precisa receber para fazer alguma coisa pelo mundo, avaliou. Ele acrescentou que parte da Amazônia está sendo empurrada no Pará, Mato Grosso e Rondônia para formação de pastagens e de lavouras de soja.
Terras produtivas
Sou a favor do desmatamento legal, mas não o ilegal, frisou Drenckhahn. Inclusive, na sua opinião, terras produtivas não deveriam ser destinadas à preservação ambiental. Sem discutir o mérito da lei que estabelece a reserva legal em todas as propriedades, ele disse que a legislação é brasileira e que, por isso, deve ser cumprida. Mas deveria haver algum tipo de compensação. Florestas e matas nativas deveriam estar em terras improdutivas, disse. Este seria o modelo adotado na Alemanha, que já teria reflorestado cerca de 40% do seu território. Naquele país, estariam sendo criados muitos parques nacionais.
O discurso adotado por Drenckhahn vai de encontro à opinião da Rural. Para o presidente da entidade Alexandre Lopes Kireeff as áreas de preservação deveriam ser definidas com base na vocação de cada região. O Paraná é líder de produção agrícola e de produtividade. Há que se distinguir as regiões preferenciais para preservação, argumentou. Além disso, ele acrescentou que a palestra tinha como propósito propor uma conciliação com os ambientalistas.


