Os recentes ataques terroristas aos Estados Unidos devem aumentar o turismo no hemisfério Sul, especialmente no Brasil, segundo avaliação feita ontem pelo presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Caio Luiz Carvalho. Ele acredita que o turismo no País, tanto de viajantes nacionais quanto estrangeiros, poderá crescer até 5% em 2001, contra os 2% previstos para o ano. ''Depois dos atentados, a indústria mundial do turismo não será mais a mesma'', disse.
De acordo com Carvalho, os países mais visados por ações terroristas vão criar uma série de precauções e dificuldades para receber estrangeiros. Com a mudança de atitude no setor, o Brasil vai poder associar uma imagem pacífica para atrair mais visitantes. Os turistas estrangeiros também têm a vantagem da desvalorização do real frente à moeda norte-americana. ''O Brasil se tornou uma opção mais barata'', completou o presidente.
Caio Carvalho ressaltou que o Brasil tem condições de ser um destino competitivo para a Europa. Segundo dados da Embratur, 5% dos europeus chegam às Américas todos os anos. Desses, 3,8% visitam a América do Norte, especialmente os Estados Unidos, e apenas 1,2% optam pelo Caribe e América do Sul. ''O momento é de cuidarmos com mais carinho do turista europeu'', afirmou.
Para aproveitar o momento favorável das viagens domésticas, a Embratur vai lançar, no final de novembro, em Londres, durante a Feira Internacional de Turismo, uma campanha voltada para os estrangeiros. A campanha ''Se viajar é sua paixão, o Brasil é o seu destino. Sinta esta paixão'', vai durar dois anos e está orçada em US$ 20 milhões.
O governo também lançou na semana passada a campanha ''Brasil, quanto mais a gente conhece, mais a gente gosta''. Os filmes e as propagandas publicitárias começaram a ser veiculados ontem em todas as emissoras de rádio e televisão brasileiras. Segundo a Embratur, a campanha vai custar R$ 1 milhão.
Segundo a Fundação de Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe-USP), é visível o aquecimento do mercado turístico nacional. Dados da fundação revelam que há cinco anos 1,9 milhão de estrangeiros visitavam o Brasil. Em 2000, esse número chegou a 5,4 milhões.
Desde 1996, a participação dos pacotes domésticos aumenta cerca de 10% ao ano, resultado de melhorias na infra-estrutura turística dos Estados.

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