José Paulo Lacerda/Agência Estado
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Sem criseO presidente Fernando Henrique, em Davos, tendo ao fundo os Alpes suíços: menosprezo aos pessimistasO Brasil deverá receber neste ano investimentos diretos no valor de US$ 18 bilhões, US$ 1 bilhão a mais que no ano passado e US$ 8 bilhões a mais que em 1996, de acordo com projeção do Instituto de Finanças Internacionais (IFI), com sede em Washington. Os fluxos privados de capital destinados a economias emergentes de todo o mundo, tanto para investimentos quanto para empréstimo, deverão cair de US$ 199,6 bilhões em 1997 para US$ 171,5 bilhões. As economias da Ásia serão as mais afetadas, com redução prevista de 28,6%, ou seja, de US$ 45,5 bilhões para US$ 32,5 bilhões. A América Latina também será afetada, mas em proporção bem menor, com uma queda estimada de 16,5%, isto é, de US$ 90,3 bilhões para US$ 75,4 bilhões.
Os latinos americanos poderão ser contaminados pela crise na Ásia, mas suas economias são hoje muito mais fortes do que foram nos últimos 20 ou 25 anos, disse o diretor-gerente do IFI, Charles Dallara, ao apresentar, ontem as estimativas para 1998. No caso do Brasil, acrescentou, a vulnerabilidade resulta do déficit fiscal e do desequilíbrio em conta-corrente, mas juros altos e outras medidas tomadas a partir de outubro/novembro deverão impedir a deterioração das contas externas. ‘‘É legítimo acompanhar a situação brasileira, mas o Brasil não está pendendo para a crise’’, comentou.
O banqueiro William Rhodes, vice-presidente do City Corp, que renegociou a dívida latino-americana nos anos 80 e está renegociando a da Coréia, mencionou o fortalecimento do sistema financeiro na América Latina depois da crise de 1995. ‘‘Isso é uma segurança’’, acrescentou, ‘‘contra o contágio da crise asiática’’. Rhodes também se referiu ao programa de ajuste adotado pelo governo brasileiro no final do ano. Disse ter ouvido do presidente Fernando Henrique Cardoso, numa conversa telefônica, há poucas semanas, que novas medidas necessárias para evitar o contágio serão tomadas, se houver necessidade. ‘‘Os latinos-americanos’’, afirmou, ‘‘aprenderam a agir diante dos sinais de problemas, sem esperar que ocorram.’ A ação recente do governo brasileiro, segundo Rhodes, é uma demonstração disso. Um dia antes, o professor Rudiger Dornbusch, do Instituto de Tecnologia de Massachussetts, havia classificado como ‘‘decoração de interiores’’ a política adotada nos últimos meses pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Em sua opinião, a vulnerabilidade externa permanece, apesar das medidas.
O Chile deverá ser o país latino-americano mais afetado pela crise na Ásia, segundo avaliação de Charles Dallara, porque o Oriente é um importante consumidor de exportações chilenas.

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