Paulo Sotero
Agência Estado
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Michel Camdessus, mostrou-se ontem ‘‘preocupado com os perigos da complacência’’ diante dos primeiros resultados positivos gerados pelo programa de estabilização econômica do Brasil e disse que os ‘‘líderes políticos brasileiros devem atentar’’ para as reações do mercado à percepção de falta de vontade política em Brasília para aprovar as reformas necessárias para reverter o quadro fiscal a médio e longo prazos e consolidar a estabilidade. ‘‘Fiquei muito impressionado quando, recentemente, começaram a surgir indicações (em Brasília) de que se podia relaxar, de que havia menos apoio no Congresso (para as reformas)’’, disse Camdessus.
‘‘Imediatamente, o nervosismo voltou ao mercado e as condições financeiras para o Brasil começaram a se deteriorar’’. O dirigente do FMI disse que os sinais de falta de vontade política para aprofundar as reformas ‘‘são perversos porque se traduzem imediatamente em custos para o financiamento (externo) do País e, indiretamente, em custo para o orçamento’’.
Camdessus não se mostrou preocupado com a baixa taxa de aprovação do presidente Fernando Henrique Cardoso, que está hoje mais baixa do que a do déficit público nominal. ‘‘Essas coisas flutuam e os políticos sabem como conviver com essas realidade e fazer seu trabalho’’, disse. Ele afirmou também que o Brasil ‘‘deve estar satisfeito pela notável virada que deu com o programa econômico’’.
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que o alerta feito pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, de que ‘‘não há espaço para complacência’’ com a economia do Brasil ‘‘converge’’ com a opinião do governo brasileiro. ‘‘Conflui exatamente com a opinião do governo de que é preciso não relaxar, é preciso continuar o esforço do ajuste fiscal e fazer as reformas’’, disse Fernando Henrique, por intermédio de seu porta-voz, Georges Lamazire.

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