Brasil deve 'estourar' meta
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De Washington 
O Brasil está em uma posição de risco para cumprir a última meta de inflação do acordo com o FMI, que vence em 1º de dezembro. Esta meta refere-se aos doze meses que terminam no final de setembro de 2001, período no qual o IPCA deveria ficar em 4,1%. É praticamente certo que o Brasil vai estourar a banda estreita da meta com o FMI, que é de 1 ponto porcentual. Mas este rompimento da banda estreita exige apenas uma explicação junto ao corpo técnico do FMI.
Um problema maior é de se romper a chamada banda larga da meta, de dois pontos porcentuais. Caso isto ocorra, o Brasil tem de se explicar formalmente junto ao Conselho Diretivo do FMI. Segundo um economista de Wall Street, esta seria uma situação mais desgastante em termos políticos para o Brasil, embora não seja grave, e tenha importância menor do que o estouro da meta de inflação para o ano-calendário firmada entre o BC e o governo brasileiro (e que interessa à sociedade como um todo). O teto da banda larga da meta de inflação com o FMI para os doze meses completados no final de setembro é de de 6,1%.
A projeção de maior probabilidade para este período, de acordo com o último Relatório de Inflação do Banco Central (BC), é de 5,85%, segundo Gustavo Bussinger, diretor do Departamento de Pesquisa da Diretoria de Política Econômica do BC. Isto significa que, pela projeção do Relatório, o Brasil está a apenas 0,25 ponto porcentual do estouro da banda larga da meta com o FMI.
Há uma confusão frequente entre as metas de inflação do BC para o ano-calendário (determinadas pelo governo) e as metas com o FMI. Na verdade, estas últimas derivam das primeiras. Nos acordos com o FMI, sempre há metas monetárias, geralmente ligadas à evolução dos agregados monetários. No acordo de 1998, porém, o Brasil convenceu o Fundo a substituir as metas baseadas em agregados pelas metas de inflação. A razão é simples: um país que tem metas de inflação preocupa-se com isto, e não com agregados.
Por tradição, porém, o FMI afere suas metas trimestralmente. É por isto que as metas de inflação do BC foram picotadas em metas trimestrais para efeito do acordo do FMI, baseadas na trajetória prevista do IPCA. Vigiar a inflação trimestralmente, porém, não é uma boa idéia, já que as flutuações dos índices de preço são irregulares.
No novo acordo que está sendo montado com o FMI, este é um problema que está sendo debatido. No mercado, há quem já tenha imaginado uma periodicidade semestral para a aferição das metas de inflação com o FMI, ou o uso de um núcleo de inflação (de comportamento menos irregular). As metas de inflação do BC para os anos de 2001, 2002 e 2003 são de respectivamente 4%, 3,5% e 3,25%, com margem de erro de dois pontos porcentuais.


