Washington - A economia mundial terá mais um bom ano em 2007 - os EUA vão desacelerar, mas as atividades na zona do euro e no Japão continuarão sólidas, enquanto China e Índia avançam rapidamente, levando o mundo a um crescimento mais equilibrado, na previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI). O Fundo divulgou ontem seu relatório semestral Panorama Econômico Mundial, onde prevê que o crescimento global vai desacelerar um pouco, de 5,4% para 4,9%, por causa do menor avanço do PIB americano, que passou de 3,3% em 2006 para 2,2% neste ano.
''Temos um crescimento mais equilibrado do que em outros ciclos de prosperidade; desde o início dos anos 70 não havia um período de quatro anos como este, isso é muito positivo e espero que dure'', disse Simon Johnson, diretor de pesquisas do Fundo.
Na visão de Johnson, o crescimento ao redor do mundo parece sustentável e há menos riscos do que há seis meses (data do último relatório). ''Enquanto as pessoas mantiverem perspectivas de retorno sobre investimentos, acho que poderemos manter esse crescimento mundial de 5% ao ano por algum tempo''
O crescimento vai esfriar um pouco nos países da América Latina, com exceção de Brasil e Chile. Na previsão do Fundo, o Brasil vai crescer 4,4% neste ano e 4,2% em 2008 (diante de 3,7% em 2006). ''A economia brasileira já está reagindo à redução dos juros e esperamos que o crescimento continue a acelerar'', disse Charles Collyns, vice-diretor de pesquisas. ''Estamos otimistas, a economia brasileira vai ganhar velocidade, vai continuar se beneficiando de altos preços de commodities.''
O Fundo revisou para baixo o crescimento dos EUA em 2007, de 2,9% para 2,2%, por causa de um segundo semestre de 2006 mais fraco do que esperado e a expectativa de que a crise imobiliária ainda vá continuar. Por enquanto, impacto das quebradeira no setor de hipotecas de alto risco tem sido limitado, porque consumo continua sustentado por renda sólida e criação de empregos. O Fundo não acredita que a desaceleração da atividade americana vá contaminar outros países. ''Nossa opinião é que, de fato, os EUA espirraram, mas foi um espirro leve, que não vai passar resfriado para outros países.''
A turbulência financeira de fevereiro e março tampouco será duradoura ou ampla. ''Foi uma retração temporária e limitada a ativos mais arriscados, incluindo mercados emergentes, depois de um longo período de euforia. Mas os mercados se recuperaram desde então.''
Países emergentes vão manter seu crescimento vigoroso, embora um pouco mais fraco que no ano passado, impulsionados pelo cenário mundial favorável e os altos preços das commodities. Índia e China continuam como grandes motores da expansão mundial, responsáveis por 21,4% do crescimento do PIB mundial no ano passado (EUA respondeu por 19,7%). Em 2007, a China vai crescer 10% e a Índia, 8,4%, segundo a projeção do relatório.

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