O Brasil vai ceder às pressões dos uruguaios e paraguaios que querem autorização para mudar alíquotas de importação hoje submetidas às regras do Mercosul. O Uruguai e o Paraguai querem o mesmo privilégio que o Brasil concedeu aos argentinos em abril. Para ajudar o vizinho a sair da crise, as autoridades brasileiras concordaram com a proposta do ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, de zerar o Imposto de Importação para bens de capitais e aumentar a alíquota para bens de consumo na Argentina. As mudanças são uma exceção às regras do bloco, que prevêem uma alíquota de comum de importação.
Na época em que o Brasil concedeu a autorização à Argentina, o Paraguai e o Uruguai pleitearam o mesmo direito. O Itamaraty declarou que a questão deveria ser discutida na reunião de chefes de Estado do Mercosul, que começa amanhã em Assunção. ‘‘Nossa posição com relação ao pedido uruguaio e paraguaio é construtiva’’, disse o ministro de Relações Exteriores, Celso Lafer, após participar de reunião com seu par argentino, Adalberto Giavarini.
Segundo apurou a Agência Folha, será inevitável o Brasil fazer algum tipo de concessão aos dois parceiros menores do Mercosul, depois de ter concordado com a mudança na Argentina. Outro ponto que deverá ser abordado em Assunção são as alíquotas de importação para bens de informática e de telecomunicações. Hoje, em média essa alíquota está em 16%. Os três sócios do Brasil gostariam de ver essa tarifa cair.
O Brasil já sinalizou que poderá aceitar rebaixar essa alíquota. O projeto tem o apoio do Ministério da Fazenda. No Desenvolvimento, alguns funcionários estão irritados com a possibilidade de maior abertura para esse setor, num momento de crise e aumento de déficit comercial no setor de informática.

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