Brasil desiste de declarar a 'guerra da soja' aos EUA
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terça-feira, 14 de maio de 2002
France Presse 
Brasília - O Brasil desistiu temporariamente de levar os EUA à Organização Mundial do Comércio (OMC) pelos subsídios deste país aos produtores de soja, até que estude os prováveis efeitos da Farm Bill, ou lei agrícola, para o país, informou a chancelaria.
A chancelaria vai analisar a versão final da nova lei agrícola aprovada segunda-feira pelo presidente George W. Bush, e que prevê subsídios à agricultura por mais de 180 bilhões de dólares em 10 anos, para adaptar argumentos do processo à nova lei.
Estudos da Universidade americana de Missouri assinalam que a lei discutida pelo Congresso pode provocar uma diminuição da área de soja plantada e aumentar o cultivo de outros grãos, em particular o milho, com o que o Brasil não se veria tão afetado.
Semana passada, uma fonte da chancelaria havia confirmado a intenção das autoridades brasileiras de colocar Washington no banco dos réus da OMC.
No mesmo dia, o ministro Celso Lafer falou ao telefone com o representante amerciano para o comércio, Robert Zoellick.
Celso Lafer assinalou que as opiniões entre os juristas da chancelaria eram muito divididas entre os que asseguravam que o Brasil tinha possibilidades de ganhar este custoso processo.
Mas um importante jornal brasileiro assinalou em sua edição de ontem que a chancelaria voltou atrás por medo de represálias comerciais dos Estados Unidos em outros campos, em particular pelas violações da Lei das Patentes.
Além disso, o chanceler Celso Lafer foi informado de que há pressões nos Estados Unidos para que o Brasil condene a pirataria de cds, fitas de vídeo, e programas de informática e mude a lei das Patentes.
Segundo Washington, esta pirataria provoca perdas de US$ 700 milhões anuais à indústria do setor. Também pedem que seja alterada a Lei das Patentes já que atrapalha o registro de patentes no país das indústrias norte-americanas.
Segundo a embaixada americana em Brasília, mais de 15.000 registros de patentes, pagos no Brasil continuam na lista de espera para receber seus certificados.


