Brasil derruba projeção de crescimento da América do Sul
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terça-feira, 26 de julho de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Curitiba - O Brasil está em terceiro lugar no ranking dos países da América Latina e Caribe que mais vão encolher ao final de 2016, com uma taxa de crescimento projetada em -3,5%, causada, segundo o estudo apresentado ontem sobre a região, por problemas de ordem estrutural no modelo de desenvolvimento nacional, bem como incertezas sobre os rumos tributários para cobrir o rombo do deficit público. Os demais a ocuparem o pódio de fraco desempenho medido pelo Relatório da Comissão Econômica Para a América Latina e Caribe (Cepal) são o vice-líder Suriname, com -4%, e, assumindo a liderança nas decisões equivocadas que seguem na contramão da locomotiva de desenvolvimento, a Venezuela, com um encolhimento projetado em -8%.
O peso do Brasil na média ponderada trouxe para baixo o percentual de crescimento tanto entre os países sul-americanos, com -2,1%, quanto entre os países da América Latina e Caribe, que repetiram o resultado negativo, com -0,8%. Essa distorção causada pela fraca performance da economia brasileira ao longo de 2015 e no primeiro semestre de 2016 (período avaliado pelo relatório) também se evidencia na média positiva dos países da América Central que trabalham com a perspectiva de crescimento da ordem de 3,8 % neste ano.
Com exceção do Caribe, que sozinho irá reduzir seu Produto Interno Bruto (PIB) em -0,3%, os fatores que garantiram desempenho à América Central foram uma reavaliação dos termos de troca, a recuperação da demanda interna e externa e um aumento considerável do recebimento de remessas do exterior.
Países da América do Sul como Chile, Colômbia e Bolívia, segundo a análise do diretor do Escritório da Cepal no Brasil, Carlos Mussi, seguem com números positivos há vários relatórios porque cada qual a seu modo apresenta diferenciais não seguidos pelo Brasil. "A Bolívia, por exemplo, tem convertido todos os ganhos de suas commodities (gás, petróleo e minerais) em investimento público elevado no país, melhorando educação e outras questões fundamentais. A Colômbia, por sua vez, diversificou sua economia e mantém uma política tributária bastante estável há anos, proporcionando um ambiente mais seguro ao investidor que não precisa deixar sua expansão condicionada a mudanças frequentes nos percentuais dos tributos cobrados. E o Chile tem um crescimento contínuo invejável, porque abriu sua economia, fortaleceu suas vantagens comparativas e sua mão-de-obra é qualificada e preparada a inovar", resume.
Fazer mais com o mesmo
Ao recomendar mudanças estruturais aos países com desempenho negativo, a secretária-executiva do Cepal em Santiago (Chile), Alicia Bárcena, durante a apresentação do Relatório esclarece que isso passa pela adoção de políticas que apoiem o investimento e que venham acompanhadas de esforços para mudar o diálogo entre o setor público e as empresas privadas. Outro ponto considerado um entrave sistemático ao desempenho dos países analisados, em especial o Brasil, é o desafio de produzir mais com os mesmos recursos. "Aumentar a produtividade é também um desafio chave para avançar rumo a um caminho de crescimento dinâmico e estável", orienta Alicia.
Alinhado ao mesmo princípio, o diretor do Escritório da Cepal no Brasil, Carlos Mussi, acrescenta a necessidade de perseguir a inovação. "Não se pode focar em copiar e repetir. Mesmo com os riscos de buscar novas tecnologias e não ter retorno, somente pelo investimento em inovação que faremos mais com os mesmos recursos e seremos competitivos. Cada sociedade tem seu timing para despertar para isso e o Brasil precisa acordar", ressalta.


