Brasil defenderá software livre em cúpula da ONU
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra O Brasil e os países ricos vão entrar em rota de colisão a partir de hoje nos debates sobre o futuro da tecnologia no mundo. A ONU abre as negociações preparatórias para a Cúpula Mundial da Tecnologia da Informação, que ocorre na Tunísia em novembro. Mas o governo promete apresentar um pacote de propostas para garantir a expansão do software livre no mundo.
Um dos principais temas da Cúpula será como reduzir as diferenças tecnológicas entre países pobres e ricos. A criação de um fundo internacional está sendo estudado e teria recursos dos países desenvolvidos. O mecanismo teria a função de financiar o desenvolvimento de projetos para levar tecnologias como internet às regiões mais remotas. Mas para o Brasil, o dinheiro do fundo deve ser usado para comprar programas mais baratos, ou seja, o software livre.
Os países ricos admitem que um fundo deve ser implementado, mas que a tecnologia das multinacionais seja a escolhida para superar as divisões no mundo. Para o governo brasileiro, não apenas essa tecnologia é mais cara, como também os países beneficiados teriam de pagar royalties.
Tática A idéia do Brasil é a de seguir a mesma tática usada no debate sobre a utilização de remédios genéricos no combate à aids. Quando o Fundo Global foi criado, há três anos, para arrecadar recursos destinados à luta contra a doença, o Brasil insistiu que o dinheiro fosse usado para comprar remédios com patentes e os produzidos por fabricantes de genéricos. Na avaliação do País, isso permitiria comprar mais medicamentos, pois os genéricos têm preços menores.


