Brasil corre riscos, admite Malan
Arquivo FolhaAnálise realistaO ministro Malan, que descartou novo pacote fiscal: Vamos passar por um período turbulentoO ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem em Belo Horizonte que o Brasil não está imune à turbulência internacional, mas descartou a adoção de um pacote fiscal antes ou depois das eleições para enfrentar a crise. Não quero fazer uma análise ingênua. Nós vamos passar por um período turbulento. Vivemos numa nave espacial, o planeta Terra. Nenhum país pode dizer parem, eu quero descer, disse o ministro, sempre ressaltando que o País está preparado para dar respostas satisfatórias a possíveis dificuldades.
Segundo ele, as medidas adotadas em outubro do ano passado para enfrentar a crise asiática aumentaram o prestígio e a reputação do Brasil internacionalmente. Estamos mais bem posicionados do que estávamos naquela ocasião. O grau de alavancagem contra o real é muito menor hoje, e o nível de reservas é maior, afirmou.
Mesmo admitindo período turbulento, Malan chamou de análise tola a afirmação de que o País terá a mesma experiência da Rússia - que desvalorizou a moeda e pediu moratória -, como foi cogitado durante a crise na Tailândia, no ano passado. O PIB da Rússia é extremamente inferior ao nosso. O peso da Rússia é incrivelmente menor do que o peso de outros países, dentre eles o Brasil. Não faz o menor sentido essa absoluta perda de tempo a que alguns se dedicam, não quero especular as razões, desde o ano passado.
Segundo ele, a Venezuela está tendo problemas por ser um país exportador de petróleo, que teve queda no mercado internacional. Disse que estruturalmente os países que têm a Ásia como principal comprador são os mais sensíveis à crise. Na América Latina, o Chile, segundo o ministro, é o mais vulnerável por destinar um terço de suas exportações à Ásia.
Para fundamentar a confiança nas respostas brasileiras à turbulência, Malan sinalizou que as taxas de juros devem manter a tendência de queda. A decisão será tomada no próximo dia 2, na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Espero que a tendência de queda seja mantida, disse.





