Brasil contesta notícias sobre importação de bovinos suspeitos
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2001
Oswaldo Petrin De Londrina 
As informações de que o Brasil teria importado (entre 1988 e 1996) animais e ração à base de farinha de osso da Grã-Bretanha, potencialmente suspeitos de contaminação pela encefalopatia espongiforme (BSE), surpreendeu ontem tanto o ministro Pratini de Moraes, que está em Davos (Suíça), como o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agriculura, Luiz Carlos de Oliveira, que está em Bruxelas para participar de evento técnico sobre o mal da vaca louca.
As especulações são uma tentativa de grupos e países interessados em colocar o Brasil na rota da vaca louca e, assim, atrapalhar as chances de expansão do mercado da carne brasileira, segundo Oliveira. Ele participa hoje, em Bruxelas, da Reunião Anual do Comitê Científico da União Européia que vai avaliar as consequências da vaca louca e discutir estratégia para o problema.
Justamente num momento como este surgem especulações como a notícia infundada, observou o assessor Tito Matos. Segundo Tito, Luiz Carlos de Oliveira deve comentar o assunto durante debate científico. O corpo técnico do Ministério da Agricultura também considera puro alarmismo, segundo fonte do Departamento de Defesa Animal (DDA) do Ministério da Agricultura. Os técnicos do Ministério garantem que não é possível que poucos animais importados dentro de regras rígidas possam ser considerados suspeitos. Além disso, não há registro de importações, ao contrário do que foi divulgado pela imprensa.
Pratini O assessor Tito Matos não afasta a possibilidade de o ministro Pratini de Moraes incluir no seu pronunciamento um desmentido categórico pondo fim às especulações. Pratini fala hoje no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Tito antecipou que o ministro da Agricultura fará um pronunciamento incisivo contra o protecionismo dos Estados Unidos, União Européia e Japão e seus gastos fabulosos em subsídios: mais de US$ 1 bilhão/dia.
Sobre a carne brasileira, o ministro costuma dizer que o nosso boi se alimenta de capim, é herbívoro e, portanto, oferece uma carne pura, sem a menor chance de contaminação, ao contrário do que ocorre com outros países. Ele pretende repetir a afirmação à imprensa mundial, já que a informação divulgada na terça-feira pelo jornal americano Wall Street Journal surprendeu o ministro e setores da pecuária brasileira.
O especialista da FNP, José Vicente Ferraz, disse ontem à Folha que toda especulação neste momento em torno da qualidade da carne brasileira atrapalha o mercado, que num primeiro momento chegou a ficar em polvorosa. Mas, a exemplo do que já havia afirmado na véspera, disse não acreditar em maiores consequências, uma vez que o próprio governo da Grã-Bretanha se encarregou de desmentir a informação de que teria vendido animais ao Brasil.


