O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, em visita a Paris, reiterou ontem o apoio do Brasil ao Plano Colômbia e assumiu, diante da União Européia, seus papéis de líder regional e interlocutor privilegiado das discussões entre europeus e Mercosul.
O chefe da diplomacia brasileira viajou a convite da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), para participar do Fórum Global e da reunião ministerial do conselho da organização. O chanceler reuniu-se com o ministro de Comércio Exterior da Suécia, Leif Pagrotsky, e com Simon Upton, presidente da mesa-redonda da OCDE sobre desenvolvimento sustentável.
Ontem, Lafer referiu-se, em entrevista coletiva à imprensa, à contribuição brasileira ao processo de paz lançado pelo presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, e principalmente ao chamado ‘‘Plano Colômbia’’. Os dois países dividem 1,6 mil quilômetros de fronteira. ‘‘Participamos ativamente do processo diplomático e apoiamos os diferentes encontros entre as partes. O Brasil propõe sua cooperação técnica para cultivos alternativos, por exemplo. Compartilhamos informações também com as autoridades colombianas’’, declarou.
A cooperação do Brasil com o Plano Colômbia, insistiu, compreende aspectos técnicos e de inteligência, e se estende também às esferas política e diplomática. Ao lembrar que acabava de participar, em Bruxelas, da Terceira Reunião das Nações Unidas sobre Países Menos Avançados, Lafer disse que o Brasil, por sua diversidade extrema, ‘‘tem uma compreensão ampla dos diferentes fenômenos e etapas do desenvolvimento’’. O chanceler lembrou a ‘‘ação importante e construtiva de cooperação’’ do Brasil com os países menos desenvolvidos, entre eles os africanos de língua portuguesa e o Haiti. ‘‘Ajudamos o Haiti em matéria de saúde pública e contribuímos com Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Moçambique na luta contra a aids e nos aspectos de formação (...). O Brasil não quer que os alimentos sejam usados como arma política’’, acrescentou, comentando ainda as dificuldades da China para entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Lafer seguiu ainda ontem para Genebra, onde terá diversas reuniões, principalmente com o diretor-geral da OMC, Mike Moore.

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