Brasil condena 'traição' de nova medida tarifária
O governo brasileiro considerou discriminatória a medida anunciada pelo Ministério de Economia da Argentina esta semana. O parceiro comercial concedeu um alívio de cerca de 8 pontos porcentuais às importações de países que não fazem parte do Mercosul, diminuindo a vantagem competitiva dos sócios do bloco. Estamos totalmente contrariados, a medida é totalmente discriminatória, disse o representante especial do governo brasileiro no Mercosul, embaixador José Botafogo Gonçalves, que participa esta semana da 5ª etapa de negociações entre o Mercosul e a União Européia, em Montevidéu.
Segundo ele, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, está fazendo um levantamento do impacto da medida nas exportações brasileiras para a Argentina. Ela afeta principalmente o Brasil porque se refere a produtos da pauta de exportações brasileira para aquele país, como bens de informática, de telecomunicações e máquinas agrícolas.
No mês passado, o ministro argentino Domingo Cavallo anunciou uma desvalorização cambial de cerca de 8 pontos porcentuais para as operações de comércio. O objetivo era tornar mais caras as importações e mais baratas as exportações, como parte das ações para retomar o crescimento econômico daquele país.
A decisão foi anunciada ao governo brasileiro pelo ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, em sua recente visita a Brasília, quando reuniu-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Economia, Pedro Malan. O governo brasileiro apoiou a decisão do parceiro. O argumento era que para a sa© úde econômica do Brasil e do Mercosul, é preciso que a Argentina volte a crescer. No entanto, esta semana, há um sentimento de traição no governo brasileiro, que sentiu-se atropelado pela última medida do parceiro comercial. Recentemente, a Argentina propôs baixar a zero a Tarifa Externa Comum (TEC) para bens informática e de telecomunicações, com o qual o governo brasileiro, depois da reação doméstica desses setores, não concordou.
Com a decisão do dia 2 de julho, na prática, a Argentina fez a mudança que queria. Isso porque a tarifa externa média para esses produtos é de 9%, com o desconto de quase 8% concedido pela Argentina às importações de terceiros países, o vizinho praticamente zerou a vantagem do Mercosul.
Para as máquinas agrícolas, a vantagem do Brasil foi reduzida à metade. Outro atropelo, na visão de membros do governo brasileiro. A TEC para tratores e colheitadeiras é de cerca de 14%, que representam a vantagem das exportações do Brasil no mercado argentino. Com o desconto de quase 8% para os demais países, os exportadores brasileiros perderam mais de 50% dessa vantagem.
União EuropéiaA 5ª Rodada de Negociações Mercosul-UE, que começou ontem em Montevidéu para abordar temas comerciais, não negociará diretamente a questão alfandegária, assegurou o embaixador José Boafogo Gonçalves. O chefe dos negociadores brasileiros informou que a União Européia comunicou que ao saber que o Mercosul não tinha uma proposta sobre o tema estudaria se apresentaria sua iniciativa, que era considerada o pontapé inicial de um longo caminho para a formação de uma zona de livre comércio entre os dois blocos.





