Brasília - O governo brasileiro decidiu aproveitar o clima de otimismo observado nos mercados financeiros e tomou ontem um empréstimo de US$ 1,5 bilhão no exterior. A operação foi feita por meio do lançamento de títulos da dívida externa. O Brasil irá pagar juros de 9,45% ao ano aos investidores que adquiriram os papéis. Com esse lançamento, sobe para US$ 4,623 bilhões o total de emissões feitas pelo governo neste ano.
Foi a quinta captação externa feita desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o BC, a emissão de US$ 1,5 bilhão realizada ontem já faz parte dos US$ 5,5 bilhões que o governo pretende captar em 2004. O dinheiro obtido com esses empréstimos é utilizado no pagamento de parcelas da dívida externa.
''Foi uma operação extremamente bem-sucedida'', disse o economista-chefe do ABN Amro Asset Management, Hugo Penteado. Segundo ele, a idéia inicial do governo era fazer uma emissão de US$ 1 bilhão, mas, diante do elevado interesse dos investidores, o valor subiu para US$ 1,5 bilhão.
O interesse dos investidores nos títulos brasileiros, por sua vez, se explica pelas elevadas taxas de juros pagas na transação. ''O risco-país (do Brasil) está em torno de 600 pontos, cerca de 300 pontos acima da média dos países emergentes'', diz Penteado.
O risco-país mede a diferença entre os juros pagos pelos papéis de um determinado país e os juros oferecidos pelos títulos norte-americanos. Se o risco do Brasil é de 600 pontos, então os papéis brasileiros pagam, em média, 6 pontos percentuais de juros a mais que os títulos dos EUA.

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