Brasil compra energia da Argentina
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de dezembro de 1996
Montezuma Cruz<br> Sucursal de Foz do Iguaçu 
Até o final de 1998, o Brasil comprará mil megawatts de energia elétrica excedente da Argentina, dos quais, 700 MW para o sistema Furnas e 300 para as concessionárias da Eletrosul. Boa Vista, capital de Roraima (Região Norte) será abastecida com 200 MW da Usina de Guri, na Venezuela. A operação entre a Eletrobrás e o governo daquele país depende apenas da construção do linhão de 800 quilômetros - 600 Km no lado venezuelano e 200 Km em território brasileiro.
Cada MW/hora custou para o Brasil US$ 26,00, o equivalente a um terço do valor gasto na produção de cada MW/h, em Boa Vista (RR). Mesmo anunciando essas medidas, ontem, durante visita à Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu, o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio Neto, negou a possibilidade de racionamento.
Não trabalhamos com essa hipótese. Se o consumo cresce, trabalhamos para vender mais energia, afirmou. A Eletrobrás surpreendeu-se com a elevação no consumo. Previa-se 5,7%, mas ele poderá atingir 7,5%, até o final deste mês.
A venda de aparelhos eletrodomésticos contribuiu para o aumento. Este ano foram vendidos mais de 4 milhões de aparelhos de TV e 1,8 milhão de geladeiras. Se eles fossem ligados ao mesmo tempo, consumiriam a energia produzida pelas hidrelétricas paulistas de Ilha Solteira e Jupiá, raciocinou Sampaio.
Brasil e Argentina, hoje conectados por uma estação conversora de 50 MW em Uruguaiana (a construção de uma segunda conversora em Santo Tomé foi suspensa), devem ampliar seus convênios, e a partir de fevereiro, a Eletrobrás lançará uma campanha nacional de combate ao desperdício de energia.
Brasil e Paraguai, sócios de Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo (12,6 milhões de quilowatts, cerca de 3 quartos da capacidade instalada na Argentina), estudam atualmente a instalação de duas novas turbinas, a um custo de US$ 300 milhões. Elas ampliarão a capacidade de geração em 1.500 MW. As novas turbinas serão instaladas nas extremidades da usina.
Sampaio confirmou, ainda, a construção da linha de transmissão Norte-Sul, numa extensão de mil quilômetros, interligando a subestação de Imperatriz (MA) a Serra da Mesa (GO). Ela possibilitará a tranferência de energia excedente produzida na Hidrelétrica de Tucuruí (PA), para as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Angra I, em Cabo Frio (RJ) é outra alternativa para evitar o racionamento. Ela está em fase de testes e seu funcionamento poderá garantir um acréscimo de 500 MW ao sistema elétrico.


