O Brasil vai abrir 2001 com um colchão de recursos da ordem de US$ 3,85 bilhões para fazer frente aos compromissos externos de US$ 4,2 bilhões que vencem ao longo do ano. Além dos US$ 2 bilhões que o Banco Central comprou no mercado por ocasião do ingresso no País dos recursos da privatização do Banespa, o colchão foi formado por mais US$ 1,85 bilhão referente à sobra das captações deste ano. Eram necessários US$ 3,9 bilhões para cobrir os pagamentos que venciam, mas o País captou um total de US$ 5,75 bilhões.
Os números são do diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, antecipando que a idéia é manter a sistemática do pré-financiamento. Ou seja, captar no ano o dinheiro que será necessário para os pagamentos que vencem em 2002. ‘‘A nossa política é a de não ter a corda no pescoço e ter que ir ao mercado em um momento adverso’’, afirmou. Por isso, ele assegura que mesmo com a folga, o Brasil vai captar no próximo ano além dos US$ 4,2 bilhões necessários. O governo já fixou o limite entre US$ 5 e US$ 7 bilhões para a emissão de títulos no exterior em 2001.
Os compromissos de pagamento, no entanto, abrangem somente a dívida externa pública sem considerar as transações correntes, que são as operações de comércio e serviço do País com o exterior. As transações correntes também incluem o setor privado. Nos serviços, o maior peso ficará com os juros que, na avaliação dos analistas de mercado, chegarão a US$ 15,7 bilhões, sendo que os vencimentos públicos deverão ficar entre US$ 2 e 3 bilhões. Sob a alegação de que está refazendo suas projeções, o diretor do Banco Central disse apenas que ‘‘é razoável supor que o déficit em transações correntes no ano que vem ficará entre US$ 25 e US$ 26 bilhões’’. Ele assegura que, como está ocorrendo este ano, a conta será totalmente coberta pelos investimentos diretos.
Embora a expectativa seja de uma retração destes investimentos , Gleizer não tem dúvida sobre o financiamento das transações correntes em 2001. O diretor lembrou que inicialmente foram estimados investimentos diretos de US$ 27 bilhões em 2000 e, segundo ressaltou, ‘‘devemos terminar este ano com US$ 30 bilhões’’. Mesmo valor do ano passado.
Sobre as perspectivas para o desempenho da balança comercial no próximo ano, o diretor do BC ainda não faz apostas. No mercado, há projeções que vão desde de um superávit de US$ 1,5 bilhão a um déficit US$ 1 bilhão. Na avaliação do economista Roberto Padovani, da Tendências Consultoria, a balança fechará 2001 com um déficit entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão. Para um analista de um banco carioca, o resultado ficará negativo em US$ 800 milhões. Gleizer argumenta, no entanto, que apesar do desempenho deste ano, quando o resultado da balança comercial sofreu o impacto da crise do petróleo e da queda no preço das commodities exportadas pelo Brasil, a lucratividade do setor aumentou. Segundo o diagnóstico do diretor, estes problemas mascararam o aumento das exportações.

mockup