Brasil carece de escolas técnicas
Nos últimos anos o Brasil tem observado um crescimento geométrico no número de faculdades por todo o país. Algumas categorias começam a se preocupar com a avalanche de novos profissionais que estão sendo despejados no mercado. Os agrônomos reclamam, por exemplo, que existem mais de 90 faculdades de agronomia espalhadas pelo território nacional e, por outro lado, os agrônomos que não conseguem emprego são mais de 4 mil.
Os dentistas não ficam atrás. Segundo o professor de Odontologia da Universidade de Brasília, 10% dos dentistas do mundo estão no Brasil e o país não possui 10% da população mundial e nem 10% dos problemas odontológicos.
Um levantamento realizado pelo Conselho Federal da OAB e disponibilizado no site da instituição mostra que atualmente existem 959 cursos de Direito em funcionamento no Brasil, com autorização do Ministério da Educação. Segundo o Conselho, são 73 a mais que em outubro de 2005, quando a OAB promoveu a contagem. São Paulo e Minas Gerais lideram o ranking nacional com o maior número de cursos. Os paulistas têm à disposição 213 faculdades de Direito, cerca de 22% a mais que em 2005, quando dispunham de 202. Os mineiros contam com 121 cursos, quase 13% a mais que no ano passado. Os estados com menor número de cursos de Direito são Acre e Roraima. Cada um oferece apenas três. Só na região Sul, são 199 cursos.
O número de novos cursos realmente impressiona. Na região de Londrina, num raio de 100 quilômetros, existem 10 cursos de jornalismo. Só em Londrina são três. O que significa perto de 300 novos profissionais por ano só na região.
''É um excesso. Parece uma indústria de diplomação'', afirma o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro. Segundo ele, esta falta de planejamento prejudica o mercado, pois não atende as demandas de muitos segmentos e, por outro lado, satura a oferta em outros.
O caso é tão grave que o deputado Ribamar Alves (PSB-MA), da comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal está marcando uma audiência para discutir o tema. Ele foi procurado por representantes do Conselho de Medicina que está preocupado com a proliferação exacerbada de faculdades de medicina pelo país, sendo que muitas delas não têm qualificação para funcionar.
O deputado informa que dados da CPI, que investigou os planos de saúde, demonstraram que a demanda de novos médicos no país é de 7.000 por ano e as faculdades estavam formando cerca de 11.000 novos profissionais todos os anos.
''O fato é que está existindo um vácuo entre o ensino médio e o superior. Nós percebemos que existe uma demanda grande por mão-de-obra qualificada, mas não precisa necessariamente ser de nível superior. O Brasil tem uma carência muito grande de escolas de nível técnico. Hoje essa função está nas mãos do Sistema 5 (Sesi, Senai, Sesc, Senac, Sebrae) mas é muito pouco. Há muito estas entidades não evoluem. Se uma indústria vier para Londrina hoje e precisar contratar cem funcionários técnicos não conseguirá'', disse
Segundo ele, não é só indústria que isso ocorre. ''Veja o caso dos agricultores que deixaram de ser apenas lavradores e passaram a ser empresários rurais. O campo exige cada vez mais tecnologia. As máquinas agrícolas dispõem de computador, GPS e outros equipamentos sofisticados. Para operar esses equipamentos é preciso uma formação técnica mais apurada e nem sempre ele encontra este tipo de ensino disponível'', comenta Ribeiro.
De acordo com ele, a responsabilidade da formação técnica dos jovens deveria ser do governo, mas acaba sendo assumida pelas empresas. O problema, afirma Ribeiro, é que este é mais um encargo para a iniciativa privada que já sofre enormemente com a altíssima carga tributária.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)





