Brasília – O Banco Centralaproveitou os ventos favoráveis para o Brasil nos últimos dias e anunciou uma nova captação de recursos externos, a segunda do ano. A intenção inicial do governo era emitir US$ 750 milhões em bônus globais com vencimento em seis anos. A operação, coordenada pelos bancos Goldman Sachs e Merrill Lynch, superou as expectativas e o volume final chegou a US$ 1,25 bilhão. ‘‘O apetite por títulos brasileiros era absurdo’’, comentou um conceituado especialista do setor privado, destacando que a demanda foi de cerca de US$ 4 bilhões.
O custo para colocar os papéis ficou 7,38 pontos porcentuais acima do que pagam os títulos do Tesouro americano com as mesmas características. Eles foram negociados com deságio de 0,99%, o que significa uma remuneração de 11,736% ao ano para os investidores. ‘‘O Brasil é uma ilha de tranquilidade num mar turbulento’’, disse o especialista, referindo-se à América Latina, onde os principais países enfrentam problemas econômicos ou políticos.
Conta ainda a favor do Brasil a possibilidade de aumento dos ganhos dos investidores. Isso por causa das chances de melhoria na classificação de risco do País. Na semana passada, a agência de avaliação de risco Moody’s, uma das principais, anunciou que o Brasil foi incluído na lista de países com perspectivas positivas. Em seguida, a agência admitiu que a posição brasileira poderá ser revista antes mesmo da definição do novo presidente da República.
O todo-poderoso presidente do Banco Central dos EUA, Alan Greenspan, também deu uma mãozinha ao afirmar, em audiência no Congresso americano, que o Brasil vai bem, apesar da Argentina. Para completar, as declarações do presidente do BC brasileiro, Armínio Fraga, são bastante animadoras em relação às perspectivas da economia. Ele garante que o País está na trajetória certa em relação ao controle da inflação e confirmou que há espaço para redução dos juros internos.
Esta foi a segunda captação externa do Brasil este ano. Em janeiro, o BC emitiu US$ 1,25 bilhão em bônus globais com prazo de vencimento de dez anos. A meta para 2002 é chegar a um total de US$ 5 bilhões em colocação de novos papéis. No ano passado, a captação atingiu US$ 6,68 bilhões. O dinheiro foi mais do que suficiente para cobrir os pagamentos previstos para o período e o governo virou o ano com sobra de recursos de mais de US$ 2 bilhões.
Com a nova captação, o BC já garante boa parte dos pagamentos previstos para 2002, que somam US$ 3,2 bilhões.

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