Brasília - Na esteira dos resultados positivos da economia, o governo completou ontem mais uma etapa do ciclo de boas notícias no cenário econômico ao captar 750 milhões de euros, o equivalente a US$ 913,65 milhões. Desde 2002 o Brasil não fazia lançamentos de bônus no mercado europeu e a operação mostrou o enorme apetite dos investidores da região por papéis de países emergentes. Com o cenário mais claro em relação à trajetória da taxa de juros nos Estados Unidos, esses investidores começam a buscar opções mais rentáveis.
Segundo dados do mercado financeiro, a demanda pelos títulos do Brasil ultrapassou em quase quatro vezes a oferta inicial. Enquanto as primeiras informações eram de que o País captaria cerca de 500 milhões de euros (US$ 609 milhões), a procura chegou a 2 bilhões de euros, cerca de US$ 2,4 bilhões.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, comemorou. Segundo ele, essa emissão ''mostra que o País está superando sua vulnerabilidade externa, de forma constante e sólida''. Meirelles lembrou que um dos limitadores do crescimento sustentado do País era a vulnerabilidade externa, mas avaliou que os indicadores dos últimos meses, considerando exportações, saldo comercial e conta corrente, mostram essa reversão. ''Tudo isso é uma mostra dessa melhoria de qualidade'', afirmou.
''O apetite por papéis emergentes - entre os quais o Brasil tem conseguido se destacar - aumenta à medida que o mercado sabe que o Fed (o banco central dos Estados Unidos) não será tão agressivo no aperto monetário quanto se esperava'', avalia um analista internacional especializado em economia brasileira.
O dinheiro obtido com o lançamento do eurobônus entrará nas reservas do País no próximo dia 24 e servirá para compensar a saída de recursos por força do pagamento de 533 milhões de euros (US$ 649,3 milhões) em títulos que vencerão no dia 30.
A projeção inicial do governo era captar US$ 5,5 bilhões no mercado internacional este ano. Desse total, US$ 1,5 bilhão já havia sido contratado no final de 2003. De janeiro a julho, foram feitas três operações de lançamento de bônus, totalizando US$ 3 bilhões. Com isso, restava apenas US$ 1 bilhão para encerrar o cronograma de emissões de 2004.
''Praticamente fechou'', afirmou Meirelles, sem adiantar se haverá novas emissões este ano. O fato de já ter conseguido o volume de recursos suficiente para pagar as dívidas que vencerão até dezembro não significa que o País encerrará as captações externas este ano. Se forem feitas operações nos próximos quatro meses, os recursos adicionais servirão para formar um colchão de reservas para os vencimentos de 2005.
A operação foi comandada pelo secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, e pelo diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman, que estão na Europa conversando pessoalmente com investidores sobre a situação da economia brasileira.

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