Brasil cai em ranking de empreendedorismo
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terça-feira, 17 de abril de 2007
Ana Paula Lacerda<br> Agência Estado 
São Paulo - O Brasil caiu no ranking dos países mais empreendedores, passando do 7º lugar no ano passado o para o 10º, de acordo com a pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgada ontem, que avalia os níveis de empreendedorismo em 42 países. No Brasil, 11,65% da população economicamente ativa (ou seja, 13,7 milhões de brasileiros) está abrindo ou abriu um negócio próprio nos últimos 42 meses. ''A queda ocorreu porque novos países entraram na avaliação, e tinham índices maiores que o brasileiro'', argumenta a coordenadora-técnica do GEM no Brasil, Simara Greco. ''Mas o índice de empreendedorismo se mantém o mesmo do ano passado.'' O País ficou atrás de Peru, Colômbia, Filipinas, Jamaica, Indonésia, China, Tailândia, Uruguai e Austrália.
Uma outra lista do GEM apontou uma mudança positiva: aumentou o número de empresas brasileiras com mais de 42 meses. O porcentual delas tem crescido regularmente, e subiu de 7,6% das empresas em 2003 para 12,9% em 2006 (um total de 14,2 milhões de empreendimentos com mais de três anos e meio). ''Pode ser um sinal de que o ambiente brasileiro está se tornando mais favorável ao empreendedorismo'', avalia Simara.
As taxas de empreendedorismo inicial tendem a ser mais altas nos países de renda média do que nos países de renda alta. Os últimos colocados da lista geral deste ano foram Emirados Árabes (3,74%), Itália (3,47%), Suécia (3,45%), Japão (2,90%) e Bélgica (2,73%). ''A explicação para isso é que nestes países as pessoas normalmente empreendem só quando têm uma boa oportunidade. A Austrália é exceção, lá se empreende muito e por boas idéias.'', explica a coordenadora. ''No Peru, na Colômbia e no Brasil, por exemplo, ainda há muitas pessoas que empreendem por necessidade, ou seja, porque estavam sem emprego e precisavam de uma fonte de renda.''
Atualmente, para cada empresa que surge por oportunidade, outra surge por necessidade. ''Já tivemos índices piores'', afirma o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto. ''Ainda há muito a fazer, mas é bom saber que os empreendimentos por necessidade deixaram de ser maioria no Brasil.'' Ele afirma que, para que haja um maior número de empreendedores por oportunidade, o País precisa crescer economicamente. ''Primeiro, a economia tem de andar. Depois, manter políticas públicas que estimulem o empreendedorismo.''
Ele afirma que, com a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que entra em vigor em julho, a situação dos novos empreendedores deve melhorar. ''Haverá simplificações que beneficiarão os pequenos empresários. Para o próximo ano, os índices podem estar ainda melhores'', diz Okamotto.
Inovação - Se analisado o potencial de inovação dos empreendimentos brasileiros, 52,7% dos empreendedores iniciais e 60,3% dos empreendedores estabelecidos administram empresas que o GEM classificou como de ''mínimo potencial de inovação''. Ou seja, são empreendimentos semelhantes a diversos outros já existentes, sem tecnologia ou gestão avançada.
''Esse quadro está muito ligado a fatores de educação e cultura no Brasil'', explica Silmara. ''Muitas pessoas não têm acesso a conhecimento tecnológico ou administrativo, ou mesmo não tentam criar uma empresa diferenciada. A cultura empreendedora ainda está em desenvolvimento no Brasil.''


