Brasil cai em ranking de competitividade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de setembro de 2005
Agência Estado 
Genebra - O ambiente político no Brasil fez com que o País despencasse oito posições no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial publicado ontem na Suíça. Diante da crise, a percepção de empresários em relação à competitividade do País foi duramente afetada e a economia brasileira passou da 57para a 65 posição entre 117 países. Para Augusto Lopez-Claros, economista chefe do Fórum Econômico Mundial, se a corrupção ainda não afetou a economia brasileira, ''a percepção dos empresários é o primeiro passo'' para que isso ocorra.
O levantamento foi feito com empresas e concluído em maio, período em que as investigações sobre a corrupção estavam no início. Para analistas, isso significa que o Brasil poderá cair mais ainda no ranking no próximo ano. ''A pesquisa não é sobre a percepção dos eventos da semana anterior, mas é uma pergunta geral com relação à operação do sistema judicial, a honestidade dos políticos e dos membros do setor público. O que a comunidade empresarial disse é que há preocupações em relação ao entorno institucional. A pergunta não se refere ao chefe de Estado, mas é um fato que a comunidade empresarial notou uma deterioração no entorno institucional entre 2004 e 2005'' , disse o economista.
Segundo o ranking, a liderança mundial é da Finlândia. Mas Namíbia, Costa Rica, Colômbia, Uruguai, Tunísia ou Botsuana estão ocupando melhores posições que o Brasil. A queda registrada ainda deve ser considerada juntamente com a inclusão de novos países que não haviam sido avaliados no ranking de 2004. Três deles -Catar, Kuwait e Casaquistão - foram incorporados neste ano e aparecem acima da posição brasileira.
''O nosso índice mostra uma piora nos ânimos da comunidade empresarial nos últimos seis meses, refletindo as preocupações sobre a falta de níveis adequados de transparência do setor público. Esses indicadores, que medem, por exemplo, a impacialidade de servidores públicos quando interagem com o setor privado, a eficiência de gastos públicos e aspectos de qualidade do ambiente jurídico, caíram muito no ano de 2005 '', disse.
Segundo o Fórum, os escândalos de corrupção atingiram a imagem do setor público e tiveram um efeito duplo: afetaram a confiança dos empresários e ''desviaram as atenções dos legisladores de tarefas importantes na preparação da economia brasileira para os desafios da concorrência internacional''.
Formado por uma série de índices, o ranking indica que a maior queda ocorreu na qualidade das instituições públicas do País. Nesse índice, o Brasil despencou 20 lugares e hoje ocupa a 70 posição, superado pelo Malawi, Azerbaijão e Peru. A ineficiência do governo ainda é tida como um dos principais obstáculos para se fazer negócios no País.
O Brasil também ocupa uma das últimas posições, a de 111, quanto ao uso dos recursos públicos, gastos de forma ineficiente segundo a pesquisa. O País ainda está na 62 posição em relação à corrupção e no 69º lugar quanto ao favoritismo nas decisões do governo.
Já nas questões econômicas, a situação não é tão melhor como aparenta. No índex de ambiente macroeconômico o Brasil aparece apenas na 79 posição, superado pela Nigéria. O Brasil ainda ocupa a penúltima colocação no que se refere às taxas de juros e os empresários classificam o País como o pior no que se refere à eficiência do sistema de tributação.
Entre os pontos positivos, o levantamento mostrou que o câmbio no Brasil foi o oitavo mais competitivo do mundo. Outro ponto positivo foi a ausência de um perigo terrorista, embora o custo do crime no País seja um dos mais altos do mundo.


