Brasil busca importadores na África
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domingo, 30 de agosto de 1998
Agência Folha 
Yuri Kochetkov/France PresseEscassez e altaCrise financeira que assolou o rublo e derrubou as bolsas faz preços dispararem nas feiras de Moscou e afasta habituais fornecedores, inclusive brasileiros, de produtos para o mercado russoA crise na Ásia e na Rússia, a queda do ritmo de crescimento da economia norte-americana e o enfraquecimento do mercado interno estão levando os exportadores brasileiros a voltar seus olhos para outra direção: a África. Empresas exportadoras começaram há um mês um movimento para vender produtos para países que pouco conhecem do Brasil, como Uganda, Camarões, Namíbia, Botsuana e África do Sul.
Eles sabem que o continente africano participa com menos de 3% do total das vendas externas brasileiras, mas apostam que a África é um potencial comprador. A AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) começou a fazer levantamento das economias de países da África. Algumas estão voltando a crescer, o que abre caminho para exportarmos de matérias-primas a eletrodomésticos, diz Marcus Vinicius Pratini de Moraes, presidente da AEB.
No primeiro semestre deste ano, as exportações do Brasil para a Ásia caíram cerca de 20%, de US$ 3,67 bilhões para US$ 2,92 bilhões, na comparação com igual período de 97. As vendas para a Ásia, que correspondiam a 14,8% do total exportado pelo país há um ano, participam agora com 11,3%.
O esforço para desviar as mercadorias para países da América Latina, Europa e Estados Unidos já teve efeito. Para a América Latina, as exportações brasileiras subiram 14,6% no período. Para os Estados Unidos e Porto Rico, 12,5%, e para a União Européia, 33%. Não podemos ficar parados. Temos de ir atrás de novos mercados, diz Pratini de Moraes. Segundo ele, as empresas estão se preparando para investir em marketing nos países africanos e melhorar a logística para colocar os seus produtos no exterior.
As exportações brasileiras para a África são pequenas, mas cresceram 26% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 97. Tem de haver regularidade nas entregas para que o Brasil ganhe espaço e credibilidade. A Ajinomoto, que há 20 anos destina mais da metade de sua produção de glutamato monossódico ao mercado externo, não cansa de procurar mais uma fatiazinha lá fora. Cerca de 20% de sua produção, estimada em US$ 100 milhões, é hoje enviada ao Oeste da África e África do Sul. A África é um mercado considerável, que guarda um potencial de crescimento, diz Júlio Miyamoto, diretor-administrativo da Ajinomoto no Brasil.
Abalada pela crise asiática, a Sadia, que exporta carne de frango, é outra empresa que quer diversificar o leque de clientes. Ela está tentando colocar os seus produtos na República Dominicana, Cuba, Irã e Angola para compensar a queda nas vendas para os mercados tradicionais.
Para fazer essa troca, a empresa está até mudando o tipo de produto exportado. O Extremo Oriente e a Europa compram cortes especiais. Os novos mercados querem frango inteiro. O fato é que houve uma perda na qualidade das exportações, diz Luiz Fernando Furlan, presidente do conselho de administração da Sadia. No primeiro semestre deste ano, as exportações de frango somaram R$ 406 milhões, 22,4% a menos do que em igual período de 97. O governo precisa ajudar a divulgar o Brasil em novos mercados, diz Gilberto Tomazoni, diretor da divisão de aves da Sadia.


