Brasil busca apoio de países exportadores contra os EUA
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quinta-feira, 06 de junho de 2002
Agência Estado 
Brasília - O governo vai buscar o apoio do chamado Grupo de Cairns - formado pelos 18 maiores exportadores agrícolas mundiais - para contestar na Organização Mundial do Comércio (OMC) os prejuízos que a nova lei agrícola dos Estados Unidos (Farm Bill) trará aos países em desenvolvimento. A proposta para que o Grupo de Cairns recorra unido à OMC contra as subvenções americanas - US$ 412 bilhões na próxima década - será apresentada pelo ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, em Roma, em reunião do grupo que começa domingo.
Vamos propor que os países do Grupo de Cairns contestem, em conjunto, os efeitos da nova Farm Bill sobre uma série de produtos agrícolas, disse o ministro à Agência Estado. Pratini de Moraes afirmou que a intenção é que seja contestado o efeito das subvenções americanas sobre produtos que têm enorme peso na economia dos países em desenvolvimento, como soja, algodão, lácteos, lã, milho e trigo.
Pratini não considera difícil obter o apoio desses países. O Grupo de Cairns já se manifestou contra a nova Farm Bill americana à época em que sua aprovação foi anunciada. A ação com o Grupo de Cairns será mais um reforço na briga do Brasil contra o protecionismo americano.
O governo continuará questionando na OMC, isoladamente. Deverá encaminhar, ainda neste ano, contestação formal contra os subsídios concedidos pelos EUA a soja e o algodão. Também pretende recorrer contra as barreiras impostas pela União Européia ao açúcar brasileiro.
Os ministros de Agricultura dos países que integram o Grupo de Cairns (Austrália, Brasil, Argentina, Chile, Canadá, Nova Zelândia, África do Sul e Colômbia, entre outros) estarão em Roma para participar da IV Reunião e Cúpula da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
A reunião para discutir os efeitos da nova Farm Bill sobre os países exportadores de produtos agrícolas foi marcada, no entanto, já em meados do mês passado. Eles também vão aproveitar a presença da secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Ann Venemam, que estará em Roma para participar da reunião da FAO, para manifestar seu descontentamento com a política agrícola norte-americana.
O governo, segundo Pratini, não levou a sério a proposta apresentada pelos Estados Unidos à OMC no início desta semana, de eliminar seus subsídios à exportação de produtos agrícolas no prazo de cinco anos, após a conclusão da rodada da OMC. Os subsídios à exportação não têm muito peso nos Estados Unidos. O forte são os programas americanos de apoio interno à produção, que deprimem os preços mundiais, como é o caso da soja e do algodão. E, sobre esses, eles não querem nem conversar, observou.


